O advogado da família de Alencar Gonçalves de Souza revelou que ele pagou R$ 255 mil por um sítio em Icaraíma (PR), mas a negociação fracassou e o valor não foi devolvido. Alencar foi ao local com três amigos — Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso — para cobrar a dívida e todos desapareceram no dia 5 de agosto. Pouco antes de sumir, Alencar enviou à esposa uma mensagem dizendo que “deu certo”, mas o advogado suspeita que outra pessoa possa ter escrito. As famílias acreditam que os quatro estejam vivos e mantidos em cativeiro, e acusam uma pessoa influente da região de atrapalhar as investigações. A caminhonete das vítimas foi achada enterrada, mas a família diz que ela foi “plantada” no local para simular as mortes. Os suspeitos seguem foragidos.

Advogado faz revelações sobre desaparecidos no Paraná e mensagem enigmática para esposa
Advogado faz revelações sobre desaparecidos no Paraná e mensagem enigmática para esposa

O caso dos quatro amigos desaparecidos em Icaraíma, no interior do Paraná, ganhou novas revelações após entrevista exclusiva do advogado Éder Cordeiro Azevedo, representante da família de Alencar Gonçalves de Souza, ao jornalista Nader Khalil. Alencar é o único desaparecido que é morador da cidade e a família ainda não havia falado com a imprensa. O relato traz informações inéditas sobre o caso que mobiliza autoridades e famílias desde o início de agosto.

Dívida e negociação frustrada

Segundo o advogado, Alencar havia tentado comprar um sítio que pertence a família Buscariollo, pagando uma entrada de R$ 255 mil. No entanto, a negociação não foi concluída e ficou acordado que o valor seria devolvido em 10 parcelas, o que não aconteceu. A família suspeita que a origem simples e modesta de Alencar possa ter influenciado a retenção do dinheiro pelos suspeitos, embora o advogado não afirme categoricamente o motivo do valor não ter sido devolvido.

Robishley Hirnani De Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso, são de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, e foram indicados por um amigo à Alencar. Na segunda-feira, 04 de agosto, eles foram até o sítio onde houve uma primeira negociação com os Buscariollo, principais suspeitos do caso, os quais se comprometeram a fazer o pagamento no dia seguinte.

No dia 5 de agosto, Alencar esperou os outros três em casa, onde pegaram ele de carro por volta das 08h. Os quatro amigos foram vistos tomando café em uma padaria de Icaraíma por volta das 10h, antes de se dirigirem ao pesqueiro, local da negociação final com Antonio Buscariollo, de 66 anos, e o filho dele, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22 anos.

Chama a atenção, segundo o advogado, que Alencar chegou a se comunicar com a esposa via WhatsApp às 12h03 daquele dia, quando ela pergunta se ele recebeu o dinheiro e ele supostamente responde afirmando: “graças a Deus, deu certo”. No entanto, não houve nenhum contato por voz ou foto, apenas mensagem de texto. Depois desse contato, todos os telefones perderam o sinal. Porém, o advogado reforça que, nem no sítio onde teria sido marcado o encontro para o recebimento do dinheiro e nem no local onde o carro foi localizado enterrado em um bunker há sinal de telefonia. O advogado acredita que a mensagem pode ter sido enviada por outra pessoa, sem afirmar quem.

Caminhonete “plantada” e suspeita de cativeiro

Apesar da polícia tratar o caso como homicídio, a família acredita que os quatro amigos estejam vivos e mantidos em cativeiro. Meire Souza, esposa de Rafael Juliano Marascalchi, afirmou ao programa Alô Você (SBT) que o veículo das vítimas, encontrado enterrado em um bunker, teria sido “plantado” no local para simular a morte dos homens.

“Meu investigador foi lá ver o carro. O carro não está lá há 40 dias. Eles estão em um cativeiro. Não tem buraco”, disse Meire, que representa as famílias dos desaparecidos. Segundo ela, os criminosos inicialmente planejavam pedir resgate, mas o plano pode ter saído do controle.

Pessoa influente atrapalhando as investigações

A família também acusou uma pessoa influente na região de estar interferindo nas investigações e ajudando a família Buscariollo, suspeita de envolvimento no desaparecimento. Meire não revelou o nome, mas alertou que, se as interferências continuarem, medidas mais drásticas serão tomadas.

“Se ela continuar atrapalhando a investigação, vamos dar nome e sobrenome. Nós também somos perigosos. Temos família grande em São Paulo e estamos dispostos a ir até o fim para encontrar nossos maridos”, declarou.

Cidade pequena e clima de medo

Icaraíma tem cerca de 10 mil habitantes, e, segundo o advogado, muitos moradores da região têm medo dos Buscariollo por atos praticados localmente, incluindo envolvimento em homicídios. A família continua acompanhando cada passo do caso e exige respostas das autoridades.

O caso segue sob investigação, com buscas e análises de evidências pela polícia, enquanto os dois principais suspeitos permanecem foragidos.

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