O Brasil decidiu excluir os EUA da cúpula “Democracia Sempre” durante a Assembleia-Geral da ONU, citando postura extremista e ataques à democracia americana. Cerca de 30 países participarão do evento, que abordará democracia, desinformação e desigualdade. A medida reflete tensão diplomática após atos antidemocráticos nos EUA e oposição de Trump à regulação de big techs.

Foto: reprodução/FolhaPress
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O Brasil anunciou que os Estados Unidos não estarão entre os convidados da segunda edição da cúpula “Democracia Sempre”, programada para ocorrer durante a Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, na próxima quarta-feira (24). O evento, idealizado pelo governo brasileiro e pelo espanhol Pedro Sánchez, reunirá cerca de 30 países, incluindo Uruguai, Colômbia, Chile, Alemanha, Canadá, França, México, Noruega, Quênia, Senegal e Timor Leste, além do secretário-geral da ONU, António Guterres, representando a União Europeia.

Segundo um funcionário do governo brasileiro, apenas países democráticos estão convidados. “Não existem condições para a participação de um país que teve uma virada extremista e cujo governo questiona a democracia e as eleições brasileiras”, afirmou.

A cúpula abordará temas como a defesa da democracia, combate à desigualdade e à desinformação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da reunião do grupo no Chile, em julho, e, na primeira edição do evento, realizada no ano passado, os EUA enviaram apenas um funcionário de segundo escalão do Departamento de Estado, sob o governo de Joe Biden.

A primeira edição, intitulada “Em defesa da democracia, combatendo o extremismo”, buscou criar um espaço de coordenação internacional contra o que os organizadores chamaram de fenômeno global reacionário. Em nota conjunta, Lula e Sánchez lembraram ataques antidemocráticos como a invasão do Capitólio em Washington e os atos de 8 de janeiro em Brasília como símbolos de movimentos violentos que rejeitam alternância democrática e promovem uma identidade nacional exclusiva.

Neste ano, a exclusão dos EUA também reflete a postura do governo de Donald Trump. Um dos primeiros atos de seu mandato foi a assinatura de decreto proibindo políticas de combate à desinformação, classificadas por ele como censura. Recentemente, Trump pressionou pela demissão de personalidades que criticaram o conservador Charlie Kirk, assassinado no último dia 10, incluindo o apresentador Jimmy Kimmel, cujo programa foi suspenso.

Outro ponto de debate da cúpula será a regulação das big techs, tema em que Trump mantém oposição firme. O presidente americano critica legislações que obrigam empresas a moderarem conteúdo online e ameaça retaliar com tarifas a blocos como a União Europeia, que já aplicou multas a algumas plataformas americanas.

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