O Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da Grande São Paulo, opera com 29,7% da capacidade, o menor nível desde 2015. A estiagem obriga a redução na retirada de água e moradores já relatam queda na pressão nas torneiras. A Sabesp descarta desabastecimento, mas admite que a normalização só deve vir com a chegada do período chuvoso.

Foto: Reprodução/Jornal Nacional
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O principal reservatório da Região Metropolitana de São Paulo voltou a assustar. O Sistema Cantareira, responsável por abastecer 9 milhões de pessoas, atingiu nesta semana apenas 29,7% da capacidade total, o menor índice registrado em um mês de setembro nos últimos dez anos. O cenário traz à memória a crise hídrica de 2014 e 2015, quando o Estado precisou recorrer ao chamado “volume morto”, água abaixo do nível das bombas, liberada apenas em situações emergenciais.

Restrições começam em outubro

Segundo resolução da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), o Sistema Cantareira entra em regime de restrição sempre que fica abaixo dos 30%. Com isso, a partir de outubro, o volume retirado será reduzido e a pressão nas torneiras cairá mais cedo: em vez de 21h às 5h, a redução começará às 19h.

Para a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), o problema foi agravado pela estiagem extrema.


“Setembro foi muito mais seco do que as piores projeções feitas em agosto. E ainda não tivemos a resposta esperada da população em termos de economia de água”, afirma o diretor-presidente Thiago Mesquita.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), por sua vez, descarta desabastecimento generalizado, mas reconhece a gravidade da situação.


“A partir de 1º de outubro começa o período úmido, que vai até março. Nossa expectativa é que as chuvas retornem e ajudem a recuperar os níveis dos reservatórios ao longo dos meses”, explica Samanta Souza, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da empresa.

Risco de repetição da crise de 2014?

O Cantareira enfrentou sua pior fase em 2014 e 2015, quando chegou a menos de 10% da capacidade útil e o governo foi obrigado a lançar mão do volume morto. Na época, milhões de pessoas enfrentaram torneiras secas e rodízio velado de água.

Hoje, especialistas temem que a combinação de estiagem prolongada, aumento do consumo e falta de conscientização da população possa acelerar uma nova crise. Por enquanto, a Sabesp aposta na chegada das chuvas para evitar medidas mais drásticas.

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