Um clima de terror imposto pelo crime organizado transformou o distrito de Uiraponga, em Morada Nova, no Ceará, em uma cidade-fantasma. Quase todos os 2 mil moradores foram expulsos após execuções em praça pública, invasões a residências e ameaças. Hoje, apenas cinco famílias permanecem no local.
Um clima de terror imposto pelo crime organizado transformou o distrito de Uiraponga, em Morada Nova, no Ceará, em uma cidade-fantasma. Quase todos os 2 mil moradores foram expulsos após execuções em praça pública, invasões a residências e ameaças. Hoje, apenas cinco famílias permanecem no local.
O conflito se intensificou após o rompimento entre duas facções rivais: o TCP Cangaço, braço do Terceiro Comando Puro, e os Guardiões do Estado (GDE), originária do Ceará. Ruas desertas, comércio fechado, casas vazias e marcas de tiros passaram a compor a paisagem do vilarejo.
Expansão da criminalidade
Até abril, Uiraponga mantinha a rotina típica de uma pequena cidade, com igreja, posto de saúde e escola municipal elogiada pela comunidade. Agora, a escola foi transformada em posto policial, onde três PMs fazem rondas esporádicas. Segundo especialistas, a ausência de posto policial permanente agravou a vulnerabilidade da região.
O estopim da expulsão ocorreu quando integrantes da GDE assassinaram em praça pública um coiteiro ligado ao TCP Cangaço e ordenaram que toda a população deixasse o distrito. A ação buscava enfraquecer rivais como Neriano e Thierry, aliados do então líder Mingau, foragido desde uma operação em 2023.
Operações
Operações recentes da Polícia Civil do Ceará resultaram em prisões, incluindo a de José Witals da Silva Nazário, o Playboy, apontado como autor de execuções no vilarejo. Ainda assim, o medo persiste e os moradores não retornaram.
Em nota, a Defensoria Pública do Estado do Ceará disse atuar para garantir direitos básicos e já acionou Prefeitura e Ministério Público em busca de solução conjunta.
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