Fernando Haddad, ministro da Fazenda, afirmou que acredita no início do ciclo de cortes da Selic em breve. Ele ressaltou que os juros altos não se explicam apenas pela questão fiscal e projetou queda consistente e sustentável, apoiado pelos dados de inflação e estabilidade do dólar. Em agosto, o IPCA registrou deflação de 0,11%, a primeira do ano.

Foto: reprodução/O globo
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), reafirmou nesta segunda-feira (22/9), durante um evento em São Paulo, que acredita no início do ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central (BC) em breve.

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC anunciou a manutenção da Selic em 15% ao ano, principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Juros mais altos têm o efeito de conter a demanda e encarecer o crédito, reduzindo a pressão sobre os preços. Já a redução da Selic tende a baratear o crédito, estimular a produção e o consumo, e elevar a atividade econômica, embora pressione a inflação.

“O juro no Brasil não se explica só pela questão fiscal. Existem muitas outras coisas que explicam o juro no Brasil. O fiscal é importante? É muito importante. Mas não é a única explicação para esse patamar de juros”, afirmou Haddad, durante um seminário promovido por um banco na capital paulista.

O ministro projetou que a Selic começará a cair de forma consistente: “Eu acho que o juro vai começar a cair e, na minha opinião, vai cair de forma consistente e sustentável. Eu não sei em qual momento. Mas em algum momento, com os dados de inflação que nós estamos colhendo, com o dólar no patamar em que está, as coisas vão melhorar muito no ano que vem. Acho que será uma trajetória sustentável.”

Dados recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, reforçam a expectativa. Em agosto, o índice registrou queda de 0,11%, a primeira deflação do ano, após sete meses seguidos de alta. A deflação representa inflação negativa, ou seja, queda média nos preços de produtos e serviços.

O cenário de desaceleração da inflação, combinado com estabilidade cambial, fundamenta a projeção de Haddad de cortes futuros na Selic, buscando estimular a economia sem comprometer o controle de preços.

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