Joesley Batista, da JBS, se reuniu com Donald Trump na Casa Branca para discutir o tarifaço de 50% sobre a carne bovina brasileira e a importação de celulose. O empresário defendeu diálogo entre Brasil e EUA para reduzir barreiras comerciais. O encontro ocorreu semanas antes de Trump acenar a Lula na ONU. A celulose já foi beneficiada com isenção tarifária, enquanto o setor de carnes aguarda inclusão na lista.

Joesley Batista na sede da empresa em São Paulo - Danilo Verpa 13.fev.17/Folhapress
Joesley Batista na sede da empresa em São Paulo - Danilo Verpa 13.fev.17/Folhapress

O empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, foi recebido em audiência pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, há cerca de três semanas. Segundo quatro fontes ouvidas pela Folha de S.Paulo, o encontro abordou temas sensíveis para o setor agroindustrial brasileiro, como a tarifa de 50% aplicada pelos EUA contra a carne bovina do Brasil e a importação de celulose.

Durante a conversa, Joesley argumentou que os entraves comerciais poderiam ser superados por meio do diálogo direto entre os governos de Brasil e EUA, incentivando uma aproximação política e econômica. A JBS, procurada pela reportagem, não comentou o assunto. A Casa Branca também não respondeu aos questionamentos.

O encontro antecedeu o discurso de Donald Trump na Assembleia-Geral da ONU, no qual o republicano afirmou ter tido “química” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sinalizou que os dois devem se reunir em breve para discutir o tarifaço.

Atuação de empresas brasileiras

Gigantes brasileiras, como a JBS e a Embraer, têm atuado para facilitar a aproximação entre as duas administrações. A Pilgrim’s Pride, subsidiária da JBS nos EUA, doou US$ 5 milhões para a cerimônia de posse de Trump, tornando-se a maior contribuição individual feita por uma empresa, segundo a Comissão Federal Eleitoral. A companhia é responsável pela produção de quase um em cada seis frangos consumidos no país.

Enquanto a carne bovina segue sob a taxação de 50%, interlocutores avaliam que há chances de inclusão do produto na lista de isenção. Já a celulose, outro tema levantado por Joesley, foi beneficiada recentemente: em 5 de setembro, Trump assinou ordem executiva retirando a tarifa de 10% sobre a importação do produto.

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