Após o Senado Federal rejeitar, por unanimidade, a PEC da Blindagem, deputados federais manifestaram insatisfação e cogitam ações de retaliação contra a Casa. Nos bastidores políticos, parlamentares dizem se sentir desrespeitados e pedem que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), adote uma postura clara em defesa dos deputados.

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta e do Senado, Davi Alcolumbre  • Bruno Spada/Câmara dos Deputados/Marcos Oliveira/Agência Senado
Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta e do Senado, Davi Alcolumbre • Bruno Spada/Câmara dos Deputados/Marcos Oliveira/Agência Senado

Após o Senado Federal rejeitar, por unanimidade, a PEC da Blindagem, deputados federais manifestaram insatisfação e cogitam ações de retaliação contra a Casa. Nos bastidores políticos, parlamentares dizem se sentir desrespeitados e pedem que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), adote uma postura clara em defesa dos deputados.

Entre as estratégias discutidas, estão atrasar a tramitação de projetos de interesse de senadores e usar a CPMI do INSS para investigar parlamentares da outra Casa. A ideia é deixar evidente que a Câmara não aceitará o que consideram uma quebra de acordo.

“Em algum momento, o Senado vai precisar dos deputados e os deputados não estarão aqui para eles”, disse um deputado do Centrão ao G1.

A controvérsia aumentou após Motta afirmar publicamente que não houve traição por parte do Senado e que não seria necessária concordância entre as Casas. Deputados, no entanto, garantem que, em conversas reservadas, Motta reconheceu que havia um compromisso do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de aprovar a matéria.

Aliados próximos do presidente da Câmara afirmam que, embora existisse o acordo, não é costume de Motta promover confrontos públicos.

Embate entre Câmara e Senado

Alguns deputados também ponderam que a rejeição foi influenciada por senadores como Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ, que se posicionou contra a proposta desde a Câmara. A PEC tinha como objetivo dificultar prisões e ações penais contra parlamentares, exigindo autorização por maioria absoluta e voto secreto.

Para muitos deputados, a derrubada da PEC foi uma forma de humilhação, agravada pelo apelido de “PEC da Bandidagem” dado por senadores. Alguns parlamentares afirmam que nunca viram um embate tão direto entre Câmara e Senado, nem mesmo em mandatos anteriores de Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

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