O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou uma carta a Donald Trump no início de setembro, oferecendo cooperação para capturar líderes do Tren de Aragua, grupo criminoso de origem venezuelana. No documento, Maduro também pediu um canal direto de diálogo para reduzir tensões após operações militares dos EUA no Caribe. O gesto ocorre em meio à escalada da pressão norte-americana, que inclui ataques a embarcações venezuelanas e o aumento da presença militar na região.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou uma carta ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oferecendo ajuda para capturar integrantes do Tren de Aragua, organização criminosa de origem venezuelana que expandiu atuação para diversos países das Américas.
Segundo informações divulgadas pela agência Bloomberg, o documento foi datado de 6 de setembro, poucos dias depois de militares norte-americanos atacarem uma embarcação venezuelana no Caribe sob a acusação de tráfico de drogas.
Na carta, Maduro pediu um canal direto de diálogo com Trump, com o objetivo de reduzir tensões entre os dois governos. Ele afirmou que as acusações de Washington contra seu país são “desinformação”, destacando que apenas 5% da produção de drogas da Colômbia passaria pelo território venezuelano. Também assegurou que autoridades locais destruíram cerca de 70% dos entorpecentes apreendidos na região.
“Presidente, espero que juntos possamos derrotar as falsidades que têm manchado nosso relacionamento, que deve ser histórico e pacífico”, escreveu Maduro, em mensagem reproduzida pela Reuters.
Escalada de tensões no Caribe
O envio da carta aconteceu em meio a uma série de operações militares dos EUA contra embarcações venezuelanas. Trump afirmou que os ataques miram integrantes do Tren de Aragua, mas Caracas nega a versão. O governo venezuelano diz que nenhuma das pessoas mortas tinha ligação com o cartel e acusa Washington de usar o tráfico como justificativa para pressionar politicamente o país.
Além disso, os EUA reforçaram sua presença militar na região, com sete navios de guerra, um submarino nuclear e caças F-35 posicionados no Caribe. O movimento intensificou especulações sobre possíveis operações de forças especiais em território venezuelano.
Histórico de acusações
O embate entre os dois líderes não é recente. Em 2017, Trump chegou a mencionar a “opção militar” para a Venezuela. Já em 2020, o governo norte-americano acusou Maduro de narcoterrorismo e passou a oferecer uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à sua prisão.
Apesar da retórica dura, Trump declarou recentemente que não tem interesse em mudança de regime em Caracas. Ainda assim, integrantes de sua administração, como os secretários Marco Rubio e Pete Hegseth, defendem linha mais dura contra Maduro, enquanto diplomatas como Richard Grenell atuam em favor da negociação.
