O presidente colombiano Gustavo Petro será barrado de entrar nos EUA. Reprodução redes sociais
O presidente colombiano Gustavo Petro será barrado de entrar nos EUA. Reprodução redes sociais

O governo dos Estados Unidos informou que irá revogar o visto do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, depois que ele participou de uma manifestação pró-Palestina, em Nova York. Durante o ato, o colombiano pediu que soldados norte-americanos desobedecessem às ordens do presidente Donald Trump.

Se o visto de um presidente estrangeiro é revogado oficialmente pelos EUA, ele não pode entrar no país em caráter privado ou oficial, enquanto a revogação estiver em vigor.

“Vamos revogar o visto de Petro devido às suas ações imprudentes e incendiárias”, publicou o Departamento de Estado em sua conta oficial no X.

A decisão torna Petro o primeiro presidente estrangeiro a ter o visto revogado pela gestão Trump desde o retorno do republicano à Casa Branca, em janeiro.

Durante o protesto, realizado em frente à sede da Organização das Nações Unidas (ONU), o líder colombiano defendeu a criação de uma força armada internacional para apoiar os palestinos. “Essa força precisa ser maior do que a dos Estados Unidos”, declarou.

Ele também fez um apelo direto aos militares norte-americanos:

“É por isso que, daqui de Nova York, peço a todos os soldados do exército dos Estados Unidos que não apontem suas armas para o povo. Desobedeçam às ordens de Trump. Obedeçam às ordens da humanidade.”

A agência Reuters informou que não conseguiu confirmar se Petro ainda permanecia em Nova York no momento do anúncio. Nem o gabinete da Presidência da Colômbia, nem o Ministério das Relações Exteriores responderam aos pedidos de comentário.

Críticas de Petro a Trump na ONU

Na última terça-feira (23), durante discurso na Assembleia Geral da ONU, Petro já havia direcionado ataques a Trump, em tom crítico à ofensiva de Israel na Faixa de Gaza.

Embora os Estados Unidos sejam o principal parceiro comercial da Colômbia e um aliado estratégico no combate ao narcotráfico, a relação entre os dois países se deteriorou após o retorno de Trump à presidência.

No início de seu novo mandato, Petro se recusou a autorizar voos militares com deportados colombianos — parte da política de imigração de Washington. A medida gerou tensões, tarifas chegaram a ser cogitadas, e os EUA suspenderam agendamentos de vistos para cidadãos colombianos. Após pressão, o governo colombiano recuou.

Neste mês, Trump incluiu a Colômbia em uma lista de países que, segundo Washington, não cumprem compromissos no combate às drogas, responsabilizando diretamente a liderança política do país.

Petro, que assumiu a presidência em 2022, havia prometido firmar acordos com grupos armados, mas no ano passado anunciou uma estratégia combinando ações sociais e militares em áreas produtoras de coca — até agora sem resultados expressivos.

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