O jornalista Paulo Soares, 63 anos, morreu vítima de falência múltipla de órgãos, quadro grave em que dois ou mais sistemas vitais deixam de funcionar. A sepse é a principal causa, mas traumas e doenças também podem provocar FMO. O tratamento exige rápida intervenção médica e suporte vital, e a prevenção é fundamental para reduzir riscos e complicações.

Foto: reprodução/redes sociais
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O apresentador e jornalista esportivo Paulo Soares, conhecido como “Amigão”, morreu nesta segunda-feira (29), aos 63 anos. Ele estava afastado da ESPN para tratamento de saúde e, em 2023, revelou ter passado por seis cirurgias na coluna. A causa da morte não foi detalhada, mas a família informou que Paulo sofreu uma falência múltipla dos órgãos (FMO), quadro médico grave em que dois ou mais sistemas vitais deixam de funcionar simultaneamente.

A falência múltipla de órgãos é uma emergência médica com alto risco de morte. Rins, fígado, pulmões e cérebro estão entre os órgãos mais afetados. Entre as causas mais comuns está a sepse, ou infecção generalizada, que ocorre quando uma infecção localizada alcança a corrente sanguínea, levando o organismo a reagir de forma exagerada e prejudicar tecidos e órgãos. Trauma, acidentes graves, queimaduras extensas, pancreatite aguda, eclâmpsia, doenças autoimunes e intoxicações também podem desencadear FMO.

O quadro geralmente evolui de forma progressiva. Um órgão que falha pode desencadear o comprometimento de outros, semelhante a peças de dominó. Cada órgão adicional afetado aumenta a gravidade e diminui as chances de sobrevivência. Segundo dados da AbcMed, com dois órgãos comprometidos, a taxa de mortalidade chega a 60%; com três órgãos, sobe para 85%; e com quatro ou mais órgãos em falência, a morte é praticamente inevitável.

A sepse, principal gatilho da FMO, manifesta sintomas como febre alta, calafrios, pressão baixa, respiração acelerada e confusão mental. Crianças pequenas, recém-nascidos, idosos e pacientes com doenças crônicas ou câncer estão mais vulneráveis. Estima-se que, a cada 1 mil pacientes internados, pelo menos 15 desenvolvam sepse como complicação, e mais da metade desses evolui para falência múltipla.

O tratamento da FMO busca estabilizar o paciente e combater a causa inicial, como a infecção. Ventilação mecânica, hemodiálise e suporte hemodinâmico fazem parte do cuidado em unidades de terapia intensiva.

“Prevenir essa condição exige vigilância em todas as etapas do cuidado. A conscientização e a prevenção combinadas podem salvar vidas e reduzir complicações”, afirma Fernanda Pimentel, diretora médica da Baxter para a América Latina, em entrevista ao Portal Metrópoles.

Embora não exista uma cura única, a recuperação depende do tratamento rápido e do suporte aos órgãos até que o corpo se regenere. Antibióticos precoces podem impedir a progressão da sepse e aumentar a chance de reversão. Porém, mesmo após a recuperação, é comum que os pacientes apresentem sequelas duradouras, sendo muitas vezes necessários transplantes para compensar órgãos danificados.

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