Um sargento da Polícia Militar e um assessor da Prefeitura de Petrópolis foram presos por instalar GPS em viaturas, permitindo que o Comando Vermelho rastreasse a movimentação de policiais. A Operação Asfixia cumpriu 12 mandados de prisão e bloqueou R$ 700 mil em bens da organização criminosa, enquanto os líderes seguem foragidos.
Investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro revelaram que um sargento da Polícia Militar e um assessor especial da Prefeitura de Petrópolis atuavam como informantes do Comando Vermelho (CV), instalando aparelhos de GPS em viaturas da corporação para rastrear a movimentação de agentes de segurança em tempo real.
De acordo com a 106ª DP (Itaipava) e o Gaeco do MPRJ, com apoio da Core, o policial militar Bruno da Cruz Rosa e o assessor Robson Esteves de Oliveira eram responsáveis por viabilizar o esquema. Robson comprava os rastreadores e repassava a Wando da Silva Costa, conhecido como Macumbinha, chefe do CV na Região Serrana. Wando, por sua vez, entregava os dispositivos para Bruno, que os instalava nas viaturas. A facção então tinha acesso à localização das equipes e até à presença de agentes dentro dos carros.
O delegado Victor Barbosa explicou que Bruno recebia dinheiro e outros benefícios para fornecer informações privilegiadas e vazar operações policiais. Já Robson também compartilhava dados sigilosos da Prefeitura com o tráfico.
Operação Asfixia
As prisões ocorreram durante a segunda fase da Operação Asfixia, a maior ação já realizada contra o CV na Região Serrana. A operação cumpriu 12 dos 18 mandados de prisão e determinou o bloqueio de R$ 700 mil em bens da organização criminosa, utilizados para sustentar a logística do tráfico.
Os líderes do esquema, Wando e seu braço direito, Luis Felipe Alves de Azevedo, continuam foragidos. Segundo as investigações, eles estariam escondidos no Parque União, no Complexo da Maré, coordenando o transporte de armas e drogas para Petrópolis.
A Prefeitura de Petrópolis informou que Robson Esteves foi exonerado imediatamente após a prisão. Já a Polícia Militar declarou que Bruno será levado para a unidade prisional da corporação em Niterói e responderá a processo administrativo, que pode resultar em expulsão.
A Polícia Civil destacou que a descoberta revela o nível de infiltração do tráfico em órgãos públicos e reforça a necessidade de ações permanentes de inteligência para coibir crimes desse tipo.
