Um caminhoneiro catarinense de 62 anos foi espancado por funcionários de um posto de combustíveis em Mimoso do Sul (ES) após se recusar a abastecer o veículo durante a noite. Vídeo mostra o momento em que Evander Maurílio Godinho é cercado e retirado à força da cabine. A transportadora explicou que o caminhão possui sistema de bloqueio do tanque após as 22h, liberando apenas no dia seguinte. O posto alega que um funcionário foi agredido pelo motorista. O caso está sob investigação da Polícia Civil e gerou nota de repúdio da Fetrancesc, que classificou o episódio como “inaceitável” e cobrou mais segurança para motoristas profissionais.
Um caminhoneiro catarinense de 62 anos foi brutalmente agredido em um posto de combustíveis na cidade de Mimoso do Sul, no Espírito Santo, na madrugada da última quarta-feira (1º). O caso foi registrado em vídeo e mostra o momento em que Evander Maurílio Godinho, natural de São Joaquim e funcionário da Fontanella Transportes, é cercado por funcionários do posto e retirado à força do caminhão antes de sofrer os ataques.
De acordo com a transportadora, o desentendimento começou porque o motorista não conseguiu abastecer o veículo durante a noite, já que o caminhão possui um sistema que bloqueia o tanque após as 22h. A orientação da empresa era de que o abastecimento fosse feito na manhã seguinte, mas os funcionários do posto não aceitaram e insistiram que ele deveria levar o veículo até a bomba imediatamente.
Nas imagens, é possível ver o caminhoneiro sendo cercado por vários homens e, em seguida, jogado ao chão. Um segurança ainda tentou conter os agressores e auxiliar a vítima. Evander foi socorrido por equipes da Ecovias Capixaba e orientado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) a registrar um boletim de ocorrência.
Versões divergentes
Enquanto a transportadora afirma que seu funcionário foi vítima de uma ação desproporcional e violenta, o Posto JR, onde o caso ocorreu, sustenta que um dos seus colaboradores foi agredido pelo caminhoneiro, sofreu uma fratura no rosto e perdeu parte da visão. O estabelecimento disse ainda que apura os fatos para esclarecer a situação.
A violência contra o caminhoneiro gerou forte reação no setor de transporte. A Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc) publicou uma nota oficial nesta sexta-feira (3), repudiando o episódio.
A Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (Fetrancesc) se manifestou nesta sexta-feira (3) publicando uma nota em repúdio às agressões sofridas pelo caminhoneiro catarinense Evander Godinho, de 62 anos. O trabalhador foi espancado por funcionários de um posto de Combustíveis que fica às margens da rodovia BR-101, no Espírito Santo.
O caso evidencia a falta de pontos de parada seguros e reforça o grave déficit de motoristas no Brasil e em Santa Catarina. A Lei 13.103/2015 (Lei do Motorista) assegura descanso ininterrupto de 11 horas, mas como cumprir a lei se não há segurança para isso? Episódios como este desestimulam ainda mais a permanência e a entrada de novos profissionais na categoria.
A Fetrancesc cobra medidas urgentes para ampliar áreas de parada seguras, fiscalizar práticas abusivas e garantir condições dignas aos motoristas.
A Federação reitera sua solidariedade ao motorista Evander Godinho, à sua família e à Fontanella Transportes, ao mesmo tempo em que pede providências para que casos como este não voltem a se repetir. A entidade reforça que, sem respeito ao motorista, não há transporte eficiente nem desenvolvimento sustentável para o Brasil”, completou a nota.
