Israel e Hamas retomaram neste domingo (5) negociações indiretas no Cairo, com mediação do Egito e sob pressão do governo de Donald Trump, para tentar encerrar a guerra em Gaza e libertar reféns israelenses.

O Hamas aceitou parcialmente o plano proposto pelos EUA, que prevê cessar-fogo, retirada gradual das tropas israelenses e troca de prisioneiros, mas pediu novos ajustes.

O premiê Benjamin Netanyahu afirmou esperar o retorno dos reféns “nos próximos dias”, enquanto Trump advertiu que não tolerará atrasos na execução do acordo. Apesar das tratativas, Israel manteve os bombardeios na Faixa de Gaza, onde ao menos 57 pessoas morreram no sábado (4).

O plano americano também inclui a criação de uma autoridade de transição supervisionada por Trump e a presença de uma força internacional, excluindo o Hamas do futuro governo de Gaza — ponto contestado pelo grupo palestino. Desde o início da guerra, em outubro de 2023, mais de 67 mil pessoas morreram em Gaza e 1,2 mil em Israel.

Imagem do conflito (redes sociais)
Imagem do conflito (redes sociais)

Delegações de Israel e do Hamas participam neste domingo (5) de novas rodadas de negociações indiretas no Cairo, mediadas pelo Egito e acompanhadas por representantes do governo de Donald Trump. O objetivo é avançar no plano de paz proposto pelo ex-presidente americano para encerrar a guerra em Gaza e garantir a libertação dos reféns israelenses.

O enviado dos EUA, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, estão entre os participantes das tratativas. A movimentação diplomática ocorre às vésperas do segundo aniversário do ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023. O grupo palestino sinalizou aceitação parcial do plano, mas pediu mais conversas sobre os termos do cessar-fogo e da troca de prisioneiros.

Netanyahu ao lado de Trump (redes sociais)

Em discurso televisionado, o premiê israelense Benjamin Netanyahu afirmou esperar o retorno dos reféns “nos próximos dias” e confirmou o envio de sua equipe de negociadores ao Egito para “finalizar detalhes técnicos”.

O canal egípcio Al-Qahera News informou que as reuniões prosseguirão até segunda-feira (6), com foco na troca de prisioneiros e reféns.

Segundo um oficial do Hamas ouvido pela AFP, o grupo busca um acordo que permita iniciar “imediatamente” a libertação dos israelenses em troca de palestinos presos em Israel. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, confirmou as reuniões e disse esperar avanços rápidos na implementação da primeira fase do plano.

Donald Trump advertiu que não aceitará atrasos no cumprimento de sua proposta, que inclui cessar-fogo, libertação dos reféns em até 72 horas, retirada gradual das tropas israelenses, desarmamento do Hamas e exílio de seus combatentes. O presidente afirmou ainda que Israel aceitou criar uma “zona de retirada” de até 3,5 km dentro de Gaza, com cessar-fogo imediato após a aceitação do plano pelo Hamas.

Apesar das negociações, os bombardeios israelenses continuaram no sábado (4), deixando ao menos 57 mortos, segundo a Defesa Civil local. Netanyahu declarou que o desarmamento do Hamas ocorrerá “diplomaticamente pelo plano de Trump ou militarmente por Israel”.

Enquanto manifestantes em Tel Aviv e Jerusalém pediam a libertação dos reféns, protestos pró-Palestina mobilizaram milhares de pessoas na Europa.

Em Gaza, a população reagiu com frustração à continuidade dos ataques.

“As negociações precisam avançar para acabar com esse banho de sangue”, disse Mahmoud al-Ghazi, morador da cidade de Gaza.

O plano de Trump prevê ainda uma autoridade de transição composta por tecnocratas e supervisionada pelos Estados Unidos, além do envio de uma força internacional, excluindo o Hamas da futura administração de Gaza — ponto que o grupo rejeita e pretende discutir.

Relembre o conflito

O conflito, iniciado em outubro de 2023, já causou a morte de mais de 67 mil pessoas em Gaza e 1,2 mil em Israel, segundo dados oficiais e da ONU.

Cerca de 47 reféns israelenses permanecem em poder do Hamas, dos quais 25 estariam mortos.

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