Ativistas detidos em Israel após a interceptação da Flotilha Global Sumud denunciam condições degradantes nas prisões. Entre eles estão Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila, que iniciou uma greve de sede em protesto contra a falta de medicamentos. Os presos relatam falta de água, comida, atendimento médico e celas infestadas de percevejos. Israel nega os maus-tratos e afirma que os direitos dos detidos estão sendo respeitados. Parte dos ativistas já começou a ser deportada, enquanto outros seguem presos.

Foto: Greta Thunberg | Instagram
Foto: Greta Thunberg | Instagram

Ativistas internacionais que participavam da Flotilha Global Sumud, interceptada por forças israelenses quando seguia rumo à Faixa de Gaza com ajuda humanitária, têm relatado condições extremas dentro das prisões onde estão detidos. Entre eles estão a sueca Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila, que iniciou uma greve de sede em protesto contra a recusa de entrega de medicamentos essenciais ao grupo.

A flotilha, composta por mais de 40 embarcações e cerca de 500 ativistas de dezenas de países, foi interceptada entre os dias 1º e 2 de outubro, em águas internacionais, e levada ao porto de Ashdod, em Israel. Desde então, os detidos foram transferidos para a prisão de Ketziot, no deserto do Negev, uma unidade de segurança máxima usada para encarcerar prisioneiros palestinos.

De acordo com a ONG Adalah, que representa parte dos detidos, as condições dentro do presídio são “degradantes e insalubres”. Muitos ativistas estariam sem acesso a água potável, alimentação adequada ou assistência médica, mesmo entre aqueles com doenças crônicas, como câncer, hipertensão e problemas cardíacos. Há ainda relatos de superlotação, privação de sono, abusos físicos e verbais.

Greta Thunberg teria informado a diplomatas suecos que está detida em uma cela infestada de percevejos, com pouca comida e água, além de irritações na pele provocadas pelas más condições do local. Segundo testemunhos de outros ativistas, ela também teria sido forçada a segurar bandeiras israelenses enquanto era fotografada.

Já Thiago Ávila, coordenador internacional da Global Sumud, anunciou em audiência no sábado (4) que deixaria de beber água até que as medicações negadas fossem entregues aos colegas presos. A organização confirmou que ele e outros brasileiros estão sendo mantidos sem tratamento médico adequado e sem acesso regular a seus advogados.

Israel, por sua vez, nega as acusações de maus-tratos e afirma que todos os direitos legais e humanitários dos detidos estão sendo respeitados. O Ministério das Relações Exteriores da Suécia, no entanto, confirmou ter solicitado ao governo israelense a garantia de água, comida e cuidados médicos imediatos aos presos.

Enquanto parte dos ativistas já começou a ser deportada para a Europa, dezenas permanecem encarcerados. O caso reacende o debate internacional sobre o bloqueio imposto por Israel a Gaza e sobre a repressão a movimentos civis que tentam levar ajuda humanitária à região.

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