O Instituto de Criminalística da Polícia Científica de São Paulo confirmou que a alta concentração de metanol em bebidas destiladas apreendidas é resultado de adição deliberada, e não de destilação natural. A perícia foi enviada à Polícia Civil para subsidiar a investigação das 16 mil garrafas apreendidas.

Foto: Reprodução
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A Polícia Científica de São Paulo confirmou que análises em grupos de bebidas alcoólicas destiladas, apreendidas em fiscalizações na capital, indicam que o metanol foi deliberadamente adicionado aos produtos. O Instituto de Criminalística (IC) concluiu que a concentração da substância tóxica é alta demais para ser resultado do processo natural de destilação.

Em nota divulgada na última terça-feira(7), o Instituto de Criminalística afirmou que dois grupos de produtos periciados apresentaram resultado positivo para metanol, em volume acima do permitido pela legislação brasileira.

As autoridades de segurança, contudo, não detalharam a quantidade exata de garrafas analisadas, os tipos de destilados adulterados, nem os locais específicos em que foram apreendidas. Os laudos periciais já foram encaminhados à Polícia Civil para subsidiar as investigações sobre a adulteração.

O Instituto de Criminalística reforçou que sua equipe trabalha 24 horas, analisando as amostras apresentadas pela Polícia Civil.

O Instituto de Criminalística da Polícia Científica de São Paulo trabalha 24h nas perícias de constatação e concentração das amostras apresentadas pela Polícia Civil, assim como na análise documentoscópica de rótulos e lacres dos recipientes. Pode-se afirmar, até o momento, e de acordo com as concentrações encontradas, que o metanol foi adicionado, não sendo, portanto, produto de destilação natural”, diz a nota oficial.

A Polícia Científica estabeleceu uma força-tarefa na última sexta-feira (3) com o objetivo de acelerar a análise das garrafas apreendidas em todo o estado.

O trabalho é crucial para identificar a origem da contaminação. Segundo o boletim mais recente divulgado pelo Governo de São Paulo, cerca de 16 mil garrafas foram apreendidas nas fiscalizações desde o dia 29 de setembro, indicando a ampla escala do problema. O processo de análise envolve a checagem inicial da integridade das embalagens e, posteriormente, o processamento do material em equipamentos especializados para confirmar a presença de metanol e quantificar sua concentração.

O estado de São Paulo confirmou 18 casos de intoxicação por metanol no balanço divulgado pelo governo. Há 158 casos sendo investigados;

176 casos

  • 18 confirmados (há laudo atestando presença de metanol e confirmação de circunstâncias que indicam que a pessoa ingeriu bebida adulterada);
  • 158 em investigação (há indícios clínicos, mas aguardam laudo para confirmar presença de metanol e investigações para entender circunstâncias de eventual ingestão da substância).

10 Mortes

  • 3 óbitos confirmados (com laudo e confirmação de ingestão de bebida adulterada);
  • 7 mortes em investigação (sem laudo e sob investigação das circunstâncias).

Apreensões e Interdições

A força-tarefa do Governo de São Paulo intensificou as fiscalizações e apreendeu, na última segunda-feira (6), mais de 100 mil vasilhames vazios em um galpão clandestino situado na Vila Formosa, Zona Leste da capital.

Desde a semana passada, a operação inspecionou dezoito estabelecimentos, resultando na interdição cautelar de onze deles por irregularidades sanitárias. Além disso, seis distribuidoras e dois bares tiveram a suspensão preventiva da inscrição estadual, incluindo a Bebilar Comercial e Distribuidora de Alimentos e Bebidas (quatro inscrições), Brasil Excellance e Exportadora de Bebidas, BBR Supermercados, FEC Alves Mercearia e Adega, e Lanchonete Ministro.

Investigações

A Polícia Civil de São Paulo trabalha com duas linhas principais de investigação para esclarecer a contaminação de bebidas alcoólicas com metanol.

A primeira hipótese, levantada pelo governador Tarcísio de Freitas, sugere que o metanol pode ter sido empregado na higienização de garrafas reaproveitadas que não foram devidamente encaminhadas para a reciclagem. Já a segunda linha de investigação aponta para o uso intencional da substância tóxica com o objetivo de aumentar o volume na produção de bebidas falsificadas.

Existe ainda a possibilidade de que os falsificadores tivessem a intenção de adicionar etanol puro, mas o produto utilizado já estivesse contaminado com metanol.

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