O fomepizol, medicamento usado no tratamento de intoxicações por metanol, deve desembarcar no Brasil ainda nesta semana. A informação foi confirmada na terça-feira (7) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em entrevista no Palácio do Planalto.
O medicamento fomepizol, utilizado no tratamento de intoxicações por metanol, deve chegar ao Brasil ainda esta semana. A informação foi confirmada na terça-feira (7) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante entrevista no Palácio do Planalto.
Segundo o ministro, o lote será inicialmente armazenado no galpão do Ministério da Saúde em Guarulhos (SP), de onde será distribuído prioritariamente para São Paulo, estado com maior número de casos confirmados. O remédio ficará disponível primeiramente nos Centros de Referência em Toxicologia (Ciatox) e, gradualmente, será enviado para outras unidades de saúde do país.
O envio do fomepizol será feito dos Estados Unidos, em caráter emergencial, graças a uma ação conjunta do Ministério da Saúde, da farmacêutica japonesa Daiichi Sankyo, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e da Anvisa.
De acordo com Fabiana Sanches, diretora de Assuntos Médicos da Daiichi Sankyo Brasil, a remessa terá 2.500 ampolas, além de 100 unidades doadas pela empresa. “A empresa, o ministério e a Opas estão trabalhando para trazer o medicamento o mais rápido possível. A expectativa é que chegue nesta semana”, afirmou em entrevista à TV Globo.
Uso hospitalar e ação do medicamento
O fomepizol é um medicamento injetável de uso hospitalar, administrado por via intravenosa sob supervisão médica, e não estará disponível em farmácias.
O antídoto atua bloqueando a enzima álcool desidrogenase, impedindo que o metanol se transforme em substâncias tóxicas como formaldeído e ácido fórmico, responsáveis por complicações graves, incluindo cegueira, coma e falência de órgãos.
Considerado mais eficaz que o etanol farmacêutico, atualmente usado como alternativa temporária, o tratamento deve começar assim que houver suspeita de intoxicação, mesmo sem confirmação laboratorial. A terapia envolve uma dose inicial de ataque, seguida por doses menores a cada 12 horas, com duração variável conforme a gravidade do caso. Melhoras costumam ser observadas em até 48 horas.
Situação no país
Segundo o último boletim do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 217 notificações de intoxicação por metanol devido ao consumo de bebidas adulteradas. Desses, 17 casos foram confirmados e 200 seguem em investigação.
O estado de São Paulo concentra 82,5% das notificações, com 15 confirmações e 164 em análise. Outros casos foram registrados no Paraná, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Ceará e mais nove estados. Até o momento, foram confirmadas duas mortes em São Paulo e outras 12 estão sob investigação.
firmadas em São Paulo e outras 12 estão sob investigação.
Ações de fiscalização
Diante do aumento de casos, o Ministério da Justiça e Segurança Pública anunciou a criação de um comitê para combater a falsificação de bebidas alcoólicas, envolvendo órgãos federais, estaduais e representantes do setor.
Segundo Padilha, cerca de 30 estabelecimentos já receberam notificações por suspeita de adulteração, enquanto 25 distribuidoras e associações do setor terão de prestar esclarecimentos.
O ministro destacou a importância da integração entre saúde e segurança:
“Queremos reforçar a integração entre saúde e segurança pública para rastrear as origens das bebidas adulteradas e punir os responsáveis.”
Ele também enfatizou a necessidade de notificações imediatas por profissionais de saúde:
“A suspeita deve ser informada imediatamente. Isso salva vidas e ajuda a identificar rapidamente os locais onde essas bebidas foram consumidas.”
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