A Polícia Civil de São Paulo identificou uma nova e preocupante tendência de extorsão sexual que, de forma inédita, tem atingido adolescentes meninos de 12 e 13 anos. O golpe, antes mais comum contra meninas, utiliza o mesmo modus operandi: criminosos criam perfis falsos de “meninas” em plataformas de jogos, induzem as vítimas a migrar a conversa para o Telegram e a enviar fotos íntimas.

 Foto: Polícia Federal
Foto: Polícia Federal

A Polícia Civil de São Paulo emitiu um alerta sobre um novo foco de extorsão contra adolescentes meninos nas redes sociais. Nos últimos quinze dias, ao menos três garotos, com idades entre 12 e 13 anos, foram vítimas de um modus operandi de crime digital que, historicamente, tem atingido mais meninas.

O golpe começa em plataformas de jogos, onde os jovens conhecem supostas meninas. A conversa migra para o Telegram, e lá, os adolescentes são induzidos a enviar fotos íntimas. Em seguida, são alvos de extorsão.

Inversão de Alvos Preocupa Polícia

A mudança no perfil das vítimas acende um sinal de alerta no Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) da Polícia Civil, setor especializado no combate a crimes em plataformas digitais.

“Eles trocaram fotos íntimas com supostas meninas e, nessas fotos e vídeos, mostram inocentemente o rosto”, explicou a delegada Lisandréa Salvariego, que está à frente do Noad.

Em um dos casos, registrado no 16ª Distrito Policial (Vila Clementino), uma das vítimas realizou transferências que somam cerca de R$ 2.000. O caso veio à tona após os pais estranharem a movimentação financeira e investigarem o ocorrido.

Detalhes do Modus Operandi

O relato de uma das vítimas detalha a ação dos criminosos:

  1. O jovem baixou um aplicativo para encontrar pessoas interessadas em jogos online.
  2. Iniciou uma conversa com uma “menina” sobre um game, que rapidamente se tornou íntima.
  3. A suposta criminosa enviou um vídeo sem mostrar o rosto e solicitou uma foto íntima do garoto.
  4. O adolescente enviou a imagem, usando a função de visualização única.
  5. Em seguida, foi surpreendido: a criminosa havia gravado o vídeo e enviou prints das imagens. Junto, vieram dados pessoais da vítima e da mãe, como CPF e data de nascimento, obtidos em seus perfis no Instagram.
  6. O jovem recebeu uma mensagem de um remetente que se identificava como “hacker” e exigia o pagamento de R$ 1.000 em troca da não divulgação das imagens.
  7. O valor foi parcelado, e o menino chegou a fazer quatro transferências de R$ 200, solicitando o dinheiro à mãe, que desconfiou dos pedidos e o confrontou, expondo o golpe.

A delegada Salvariego afirmou que os criminosos já foram identificados e a polícia trabalha para decretar a prisão deles.

Ação do Noad

Criado em novembro de 2024, o Noad tem intensificado a repressão a crimes digitais. O núcleo, que monitora plataformas como Discord e Telegram 24 horas por dia, já foi responsável pela apreensão de ao menos 25 adolescentes e a prisão de 17 pessoas envolvidas e coordenando atividades criminosas nas redes.

Atualmente, o Noad monitora 742 alvos continuamente, com pelo menos 162 vítimas identificadas. O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, planeja transformar o Noad em uma delegacia, indicando o aumento da gravidade da violência digital.

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