O líder religioso Adir Aliatti, 69 anos, e dois filhos são investigados pela Polícia Civil do RS por tortura psicológica, exploração financeira, violência sexual e manipulação de adeptos da comunidade Osho Rachana. A Operação Namastê identificou rituais coercitivos, métodos terapêuticos ilegais e desvio de milhões. Os indiciados respondem por mais de dez crimes, e as investigações continuam.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS) concluiu o relatório parcial das investigações contra o líder religioso Adir Aliatti, de 69 anos, conhecido como “Prem Milan”, à frente da comunidade Osho Rachana, localizada entre Viamão e Porto Alegre. Segundo o inquérito, Aliatti contava com a participação de dois filhos para praticar crimes de tortura psicológica, exploração financeira e manipulação emocional, disfarçados como rituais espirituais e terapias.
Tortura e abuso psicológico
A investigação, originada a partir de denúncias de ex-integrantes da comunidade, revelou rituais coercitivos, isolamento social, humilhações públicas e trabalhos forçados. Os adeptos também teriam sido vítimas de violência sexual mediante fraude e golpes financeiros.
De acordo com a delegada Jeiselaure de Souza, responsável pelo caso, os líderes exigiam doações forçadas e cursos pagos, prometendo cura espiritual e prosperidade, ao mesmo tempo em que aplicavam métodos terapêuticos não reconhecidos, como ozonioterapia retal e rituais de “cura gay”, configurando tortura e discriminação.
“O inquérito demonstra um padrão de manipulação psicológica e abuso de poder espiritual, no qual os líderes exploravam emocional, sexual e financeiramente dezenas de pessoas vulneráveis, muitas delas com sequelas permanentes”, afirmou a delegada.
Desvio de recursos e indiciamentos
As investigações indicam desvio de milhões de reais, obtidos por meio de cursos, imersões e “doações forçadas”, com utilização em bens pessoais, viagens e imóveis.
Os três investigados foram indiciados por associação criminosa, tortura psicológica, estelionato, redução à condição análoga à de escravo, curandeirismo, charlatanismo, crimes contra a economia popular, violência sexual mediante fraude, exposição de crianças a constrangimento, falsificação de produto terapêutico, injúria racial e discriminação por orientação sexual.
A Operação Namastê, deflagrada no fim de 2024, seguirá com desdobramentos investigativos sob responsabilidade da 1ª Delegacia de Polícia de Viamão, que pretende aprofundar a análise da estrutura criminosa e identificar outras possíveis vítimas.
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