A Polícia Civil do Rio Grande do Sul indiciou Adir Aliatti, conhecido como Prem Milan, por mais de dez crimes, incluindo tortura, estelionato, curandeirismo, racismo, abuso infantil, violência sexual e trabalho escravo. Ele é acusado de comandar uma comunidade espiritual em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde teriam ocorrido abusos físicos, psicológicos e financeiros.
As investigações apontam que Aliatti se apresentava como “guru espiritual” e usava práticas de meditação e sexo coletivo para manipular seguidores e obter vantagens econômicas. Mais de 40 vítimas foram identificadas, e o prejuízo financeiro ultrapassa R$ 4 milhões.
Relatos de ex-integrantes também indicam práticas de “cura gay”, agressões durante retiros e isolamento forçado de participantes, incluindo menores. O grupo teria funcionado sob falsas promessas de “cura espiritual”, com pacotes que custavam até R$ 12 mil.
Aliatti cumpre medidas cautelares com tornozeleira eletrônica, enquanto o Ministério Público avalia se apresentará denúncia formal. A defesa afirma que ainda não teve acesso ao relatório da polícia e que o investigado “confia na Justiça”.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul indiciou Adir Aliatti, conhecido como Prem Milan, por mais de dez crimes após denúncias de abusos cometidos em uma comunidade espiritual liderada por ele em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS). Entre os delitos apontados estão tortura física e psicológica, curandeirismo, estelionato, racismo, abuso infantil, violência sexual mediante fraude, trabalho escravo e crimes financeiros.
A investigação, que teve início após operação realizada em dezembro do ano passado, no sítio onde funcionava a comunidade Osho Rashana, revelou que o grupo funcionava sob um rígido controle psicológico e financeiro. Mais de 40 vítimas foram identificadas, e o prejuízo total ultrapassa R$ 4 milhões, segundo a polícia.
Manipulação espiritual e exploração financeira
Segundo o relatório policial, Aliatti se apresentava como “guru espiritual” e utilizava práticas de meditação e terapia, incluindo sessões de sexo coletivo, como forma de manipulação emocional e financeira dos seguidores. O líder convencia os adeptos a pagar valores altos por supostos tratamentos de “cura espiritual” e obrigava-os a viver em isolamento.
A delegada Jeiselaure Rocha de Souza, responsável pelo caso, afirmou que o inquérito demonstra “um padrão de manipulação psicológica e abuso de poder espiritual”, com vítimas que ficaram emocional e financeiramente devastadas.
Relatos de “cura gay” e violência
Ex-integrantes relataram práticas de “cura gay”, nas quais pessoas LGBTQIA+ eram pressionadas a manter relações heterossexuais. Também foram denunciados episódios de violência física, como o uso de uma cinta para agredir participantes durante retiros espirituais.
Esquemas financeiros e desvios
As investigações apontam que o “guru” teria desviado cerca de R$ 20 milhões em benefício próprio, aplicando o dinheiro em empresas, imóveis, viagens e apostas online. O sítio (foto em destaque) da comunidade, com 42 hectares, chegou a abrigar até 80 pessoas, que trabalhavam e vendiam produtos naturais para sustentar o local — mas o lucro era direcionado a Aliatti.

Local onde aconteciam os supostos crimes
Defesa e medidas judiciais
O investigado cumpre medidas cautelares com tornozeleira eletrônica. Em nota, a defesa, representada pelo advogado Rodrigo Oliveira de Camargo, afirmou não ter tido acesso ao relatório final da polícia e declarou que Aliatti “confia na Justiça” e prestará esclarecimentos no momento oportuno.
As autoridades agora aguardam a análise do Ministério Público, que decidirá se apresentará denúncia formal contra o líder espiritual.
