Relatório preliminar sobre o acidente do Elevador da Glória, que matou 16 pessoas em Lisboa, revela que o cabo do bondinho não tinha certificação para transporte de passageiros. Documento também aponta falhas graves na manutenção e recomenda paralisação de outros bondinhos da capital portuguesa

Relatório traz revelação chocante sobre bondinho que matou 16 pessoas em Lisboa
Relatório traz revelação chocante sobre bondinho que matou 16 pessoas em Lisboa

Um relatório preliminar divulgado nesta segunda-feira (20) revelou falhas graves na segurança do Elevador da Glória, bondinho turístico de Lisboa, em Portugal, que descarrilou em setembro, deixando 16 mortos. Segundo o documento, o cabo que ligava as cabines não estava certificado para o transporte de passageiros.

O relatório foi elaborado pelo Gabinete de Investigação de Acidentes Aéreos e Ferroviários de Portugal (GPIAAF) e aponta que as manutenções do equipamento eram feitas de forma irregular e incompleta. O elevador é um dos pontos turísticos mais tradicionais da capital portuguesa, ligando a região da Baixa ao Bairro Alto.

“Embora as ações de manutenção contratualmente previstas e planejadas estivessem registradas como cumpridas, foram recolhidas evidências de que o registro não corresponde às tarefas efetivamente executadas”, diz o documento.

Cabo irregular e falhas nas inspeções

De acordo com o GPIAAF, o cabo que se rompeu durante o acidente não estava em condições adequadas para transportar pessoas. Os investigadores também constataram que as inspeções realizadas pela Companhia Carris de Ferro de Lisboa (CCFL) — responsável pela operação do bondinho — não tinham capacidade para verificar o ponto exato onde ocorreu a ruptura.

O local em que o cabo se rompeu só poderia ser inspecionado com a paralisação completa do sistema por pelo menos dois dias, o que não estava previsto nos procedimentos regulares de manutenção.

“O local onde o cabo sofreu a rotura não é passível de inspeção nas operações de manutenção previstas”, destacou o relatório.

Manutenção deficiente e sistemas ultrapassados

O documento ainda revela que, em alguns casos, a manutenção era feita de forma antiquada e ocasional, sem cumprir integralmente os protocolos de segurança. Apesar disso, o relatório ressalta que ainda não é possível determinar se falhas no cabo poderiam ter sido detectadas em inspeções anteriores, essa conclusão será apresentada apenas no relatório final, que ainda não tem data para ser divulgado.

Outros bondinhos seguem parados

Como medida de precaução, o GPIAAF recomendou que todos os bondinhos de Lisboa permaneçam parados até que seja comprovado que possuem sistemas de fixação e travagem capazes de imobilizar as cabines em caso de ruptura.

O acidente aconteceu em 3 de setembro, quando o cabo do Elevador da Glória se rompeu. O bondinho desceu desgovernado em alta velocidade e colidiu contra um muro, matando 16 pessoas e deixando dezenas de feridos.

Veja mais:

 

Vídeos curtos

Mais lidas