Sanae Takaichi, de 64 anos, foi eleita nesta terça-feira (21) a nova primeira-ministra do Japão, tornando-se a primeira mulher da história do país a ocupar o cargo. A nomeação oficial deve ocorrer após audiência com o imperador Naruhito.
A parlamentar conservadora chegou ao posto após formar uma coalizão de última hora com o partido de centro-direita Ishin, garantindo apoio suficiente para liderar o Parlamento. A aliança surgiu depois que o tradicional parceiro do Partido Liberal Democrata (PLD), o Komeito, decidiu deixar o bloco governista.
Takaichi assumiu a liderança do PLD em 4 de outubro, sucedendo Fumio Kishida. Apesar de o partido estar no poder quase ininterruptamente desde 1955, perdeu a maioria nas duas câmaras do Parlamento devido a escândalos financeiros recentes.
Entre as principais promessas da nova premiê está a formação de um gabinete com maior presença feminina, inspirado nos modelos escandinavos. Ela também afirmou que pretende abordar questões relacionadas à saúde da mulher, como os sintomas da menopausa, temas raramente discutidos por líderes japoneses.
Posições conservadoras da primeira-ministra
Mesmo com esse discurso de valorização feminina, Takaichi mantém posições conservadoras em pautas de gênero. Ela é contrária à mudança da lei que exige que casais compartilhem o mesmo sobrenome e defende a manutenção da linha de sucessão imperial exclusivamente masculina.
No campo econômico, a nova primeira-ministra defende o aumento dos gastos públicos para impulsionar o crescimento, proposta alinhada à política adotada pelo ex-premiê Shinzo Abe. O anúncio de sua eleição foi recebido com otimismo pelos mercados.
A coalizão liderada por Takaichi conta com 231 cadeiras, duas a menos que o necessário para a maioria absoluta. O governo, portanto, dependerá de negociações para aprovar projetos e reformas.
Na política externa, Takaichi tem adotado um tom mais cauteloso. Ela moderou as críticas à China e evitou visitar o santuário de Yasukuni, local polêmico que homenageia militares condenados por crimes de guerra, gesto visto como uma tentativa de reduzir tensões diplomáticas na região.
A nova líder japonesa inicia o mandato com grandes desafios: conter o declínio populacional, estimular a economia e fortalecer a confiança pública em meio à crise política que enfraqueceu o PLD.
A premiê metaleira
Antes de ingressar na política, Sanae Takaichi teve uma juventude marcada por um estilo pouco comum entre conservadores: ela foi baterista de uma banda de heavy metal e costumava andar de motocicleta. A premiê já declarou em entrevistas que o gosto pelo gênero permanece até hoje, e que o ritmo energético do metal a inspira em momentos de pressão.
Apelidada por alguns veículos estrangeiros de “a dama de ferro japonesa”, em referência à ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, de quem é admiradora, Takaichi combina firmeza política com uma personalidade fora dos padrões tradicionais do Japão.
Essa faceta roqueira contrasta com sua imagem pública mais rígida e conservadora, tornando-a uma figura singular no cenário político japonês: uma líder disciplinada, ultraconservadora e, surpreendentemente, metaleira.
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