A pastora Nádia Regina Andrade, de 45 anos, assassinada com nove facadas pelo próprio filho, em Manaus (AM), dedicava sua vida à fé e acreditava que o jovem ainda poderia mudar. Líder da Igreja Pentecostal do Amor de Deus, na Zona Leste da capital, Nádia era conhecida pela força espiritual e pela rotina de orações e jejuns, sempre pedindo pela libertação da família — especialmente do filho, João Vitor, de 19 anos, autor do crime.
De acordo com relatos de amigos, a pastora acordava de madrugada para orar e jejuava com frequência, acreditando que a fé seria capaz de transformar o comportamento do rapaz, que enfrentava problemas psicológicos e crises de agressividade desde a infância. Mesmo após episódios de violência dentro de casa, Nádia perdoava o filho e mantinha a esperança de vê-lo recuperado.
A tragédia aconteceu quando Nádia chegava em casa após o trabalho, onde atuava como auxiliar de serviços gerais. Testemunhas relataram que o jovem a atacou assim que ela abriu a porta. “Ela mal abriu a porta e ele já a esfaqueava”, contou um vizinho.
Violência conhecida por todos
Moradores da comunidade afirmaram que a violência doméstica era conhecida por todos. “Todo mundo sabia que ele batia nela. Tentamos avisar várias vezes, mas mãe é assim, perdoa. Eu conheço ele desde pequeno, ele sempre foi agressivo”, disse um morador, que também revelou ter sido ameaçado por João Vitor pouco antes do assassinato. “Ele veio para cima de mim com a faca na mão. Quando vi que ele estava descontrolado, recuei. Minutos depois, fez o que fez com a própria mãe.”
Familiares confirmaram que João Vitor já havia sido denunciado pela irmã por agressões e que todos viviam amedrontados com suas crises de fúria.
Poucas horas após o assassinato, o jovem foi capturado pelo chamado “tribunal do crime” e executado em um ramal da comunidade Coração de Mãe. O corpo dele foi encontrado pela polícia no fim da tarde, encerrando um ciclo de violência e tragédia familiar que abalou a região.
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