O incêndio que atingiu o Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, em 2019, matou 10 jovens atletas e deixou três feridos voltou a causar revolta nesta semana após a 36ª Vara Criminal da Comarca do Rio de Janeiro, absolver todos os réus no caso. Em entrevista ao programa Domingo Legal neste domingo (26), o ex-vigia Benedito Ferreira, que ajudou a resgatar os jogadores, relembrou o momento de horror e falou sobre as marcas deixadas pelo episódio.

Justiça do Rio absolveu sete réus do incêndio no Ninho do Urubu, que aconteceu em 2019 (Foto: Adriano Fontes / Flamengo)
Justiça do Rio absolveu sete réus do incêndio no Ninho do Urubu, que aconteceu em 2019 (Foto: Adriano Fontes / Flamengo)

O incêndio que atingiu o Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, em 2019, matou 10 jovens atletas e deixou três feridos voltou a causar revolta nesta semana após a 36ª Vara Criminal da Comarca do Rio de Janeiro, absolver todos os réus no caso. Em entrevista ao programa Domingo Espetacular neste domingo (26), o ex-vigia Benedito Ferreira, que ajudou a resgatar os jogadores, relembrou o momento de horror e falou sobre as marcas deixadas pelo episódio.

Ouço aqueles gritos, falavam que tá ardendo, tá pegando, tá queimando… Socorro, socorro. Aquilo ecoa na minha mente quase que sempre”, contou Benedito.

O vigia relatou que presenciou cenas de desespero e precisou agir rapidamente para salvar alguns atletas. Ele puxou jogadores feridos pelas grades e ajudou aqueles que conseguiam se movimentar. Entre as vítimas que não conseguiram escapar estavam Riquel Muviana, Átila Paixão, Christian Ismério, Jorge Sacramento, Samuel Thomas Rosa, Artur Vinícius de Barros, Bernardo Pizeta, Jadson dos Santos, Pablo Henrique da Silva e Vitor Coelho.

“Eu via aqueles garotos todos os dias. Na hora do almoço, na entrada, na saída… Convivência era diária. Todos os dias, de manhã, de tarde, à noite”, lembrou.

Vigia que ajudou no resgate do incêndio no CT do Flamengo faz revelações sobre o caso (Foto: Reprodução/Record)

Benedito criticou a decisão e denunciou negligência:

“Essa é a desculpa mais ridícula que eles poderiam dar. Até porque existem provas que eles sabiam de tudo que se passava ali e passaram pano, tamparam com paninho.”

Desde a tragédia, Benedito Ferreira enfrenta transtorno de estresse pós-traumático, revivendo diariamente o horror que presenciou e o impacto emocional sobre as famílias das vítimas.

Decisão da Justiça

Segundo a investigação, o incêndio começou no quarto 6, enquanto outros cômodos também ficaram comprometidos. O container usado como dormitório apresentava instalações elétricas precárias e não havia sido inspecionado pelo corpo de bombeiros, funcionando de forma irregular.

Em 2021, 11 pessoas foram denunciadas por homicídio culposo qualificado e lesões corporais, incluindo ex-dirigentes e engenheiros do clube. No entanto, a justiça absolveu todos os réus, alegando falta de provas de participação direta no incêndio e dificuldades em estabelecer nexo de causalidade.

A associação que representa os familiares das vítimas protestou contra a absolvição, que renova o sentimento de impunidade. O Ministério Público informou que irá recorrer da decisão.

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