A história e expansão do Comando Vermelho, desde sua origem em presídios nos anos 1970 até a nacionalização e uso de tecnologia em operações criminosas, destacando a violência, o controle territorial e os desafios das forças de segurança no Rio de Janeiro.

Relembre a trajetória do Comando Vermelho no Rio

A mais violenta operação policial da história do Rio de Janeiro teve como objetivo cumprir cem mandados de prisão e impedir o avanço territorial do Comando Vermelho (CV), a facção mais antiga do Estado. A ação mobilizou cerca de 2,5 mil agentes das forças de segurança fluminense, resultando em mais de 132 mortos, incluindo quatro policiais, além de 81 prisões e a apreensão de mais de 100 fuzis.

Nos últimos anos, o CV expandiu seu controle territorial em 8,4%, retomando áreas perdidas para milícias e assumindo 51,9% das regiões dominadas por grupos armados na Região Metropolitana do Rio. De acordo com o Mapa dos Grupos Armados, a facção foi a única organização criminosa do Estado a ampliar sua influência, consolidando-se como protagonista no cenário do crime organizado fluminense.

A história do Comando Vermelho remonta aos anos 1970, durante a ditadura militar, quando presos políticos foram enviados ao Instituto Penal Cândido Mendes, em Ilha Grande, dividindo celas com presos comuns. Essa convivência possibilitou a transferência de conhecimentos sobre direitos e negociação, dando origem à Falange da Segurança Nacional, posteriormente chamada Falange Vermelha, e depois, pela imprensa, Comando Vermelho.

Durante os anos 1980, o grupo começou a investir em fugas em massa e assaltos a bancos, redirecionando seus lucros para o tráfico de cocaína, que cresceu em importância com a produção da droga na Colômbia. A proteção do comércio ilegal levou à necessidade de armamento pesado e organização de confrontos para defesa de territórios e mercadorias, criando um ciclo de violência que perdura até hoje.

Nos anos 1990, mesmo com a transferência de líderes para penitenciárias diferentes, o CV fortaleceu sua estrutura, difundindo seus ideais entre outros presidiários e expandindo sua atuação para além do Rio de Janeiro. A facção adotou modelo de franquia, com chefes regionais mantendo autonomia, mas alinhados aos princípios do grupo, o que permitiu sua nacionalização e a expansão para 25 estados nos últimos seis anos.

A facção também evoluiu tecnologicamente. Recentemente, foram registradas fábricas clandestinas de armas com impressoras 3D de alta precisão e uso de drones com explosivos durante confrontos. A flexibilização do acesso a armamento, entre 2018 e 2022, ampliou o mercado ilegal e facilitou a personalização e o desvio de armas, reforçando o poder do CV e sua capacidade de manter a violência em expansão.

Apesar das operações policiais, a eficácia no combate à facção é limitada. Os confrontos se concentram nas áreas dominadas pelo tráfico, mas o Estado não consegue retomar permanentemente o controle desses territórios. Segundo o Instituto Fogo Cruzado, os confrontos são 3,71 vezes mais frequentes em áreas controladas pelo tráfico do que em regiões dominadas por milícias, evidenciando a dificuldade do poder público em conter a expansão do Comando Vermelho.

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