Moradores dos Complexos da Penha e do Alemão relataram cenas de horror após a megaoperação mais letal da história do Rio, que deixou mais de 100 mortos. Eles acusam policiais de violência extrema, invasões de casas e mortes brutais. A Operação Contenção visava líderes do Comando Vermelho e contou com 2.500 agentes.
Após a megaoperação considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro, com mais de 100 mortos, a equipe do repórter André Azeredo, do programa “Alô, Você”, apresentado por Luiz Bacci, esteve nos Complexos da Penha e do Alemão para ouvir relatos de quem presenciou o horror de perto.
“No Brasil não existe pena de morte, não. Teve corpo com a cabeça decapitada, arrancaram até a perna. Parece que eles são treinados para subir na comunidade e matar negro pobre”, desabafou uma moradora, que ajudou a retirar corpos deixados na mata após os confrontos.
Outro depoimento revela a violência dentro das casas. “A polícia invadiu minha casa, bateram na cara do meu filho e jogaram spray de pimenta. Olha o rosto da minha neta. Ela teve febre e acordou hoje com o olho todo inchado. Eu estava com crianças em casa, e eles invadiram mesmo assim. Não me respeitaram”, contou uma mulher emocionada.
Temendo traumas psicológicos, outra moradora afirmou que a filha pequena ainda sofre com medo e insônia. “Eu não durmo, minha filha não dorme. Ainda tenho medo da polícia invadir minha casa. Nós só queremos justiça”, relatou.
Moradores da região têm se unido para prestar socorro aos feridos e apoiar famílias atingidas pela operação. Raull Santiago, líder de uma organização social no Complexo da Penha, revelou que há indícios de que ainda existam corpos na mata. “Vimos um barranco com marcas de sangue e encontramos vários corpos”, afirmou.
Ação mais letal da história
A ação, batizada de Operação Contenção, teve como objetivo desarticular lideranças do Comando Vermelho que atuam nos complexos da Penha e do Alemão. Cerca de 2.500 policiais civis e militares participaram, cumprindo mandados de prisão e busca. Ao todo, 113 suspeitos foram presos e 118 armas apreendidas.
As forças de segurança enfrentaram forte resistência, com relatos de tiroteios intensos, barricadas em chamas e uso de drones por criminosos. A operação superou as ações do Jacarezinho (2021), que deixou 28 mortos, e da Vila Cruzeiro (2022), com 24 mortes — ambas sob o governo de Cláudio Castro (PL).
Na madrugada desta quarta-feira (29), moradores encontraram mais de 60 corpos na mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, área que não aparece no balanço oficial do governo. Os corpos foram levados por voluntários até a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, para aguardar identificação.
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