As investigações que levaram à megaoperação policial no Complexo do Alemão e na Penha, na Zona Norte do Rio, na terça-feira (28), expuseram o funcionamento interno do Comando Vermelho (CV) e chocaram até os investigadores. Os chefes da facção usavam grupos de aplicativos de mensagem para comandar torturas, execuções e até a escala de seguranças responsáveis por proteger os pontos de venda e o líder da quadrilha, Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso.

Drone da polícia flagrou cerco de traficantes em frente a casa de líder do CV antes de megaoperação
Drone da polícia flagrou cerco de traficantes em frente a casa de líder do CV antes de megaoperação

As investigações que levaram à megaoperação policial no Complexo do Alemão e na Penha, na Zona Norte do Rio, na terça-feira (28), expuseram o funcionamento interno do Comando Vermelho (CV) e chocaram até os investigadores. Os chefes da facção usavam grupos de aplicativos de mensagem para comandar torturas, execuções e até a escala de seguranças responsáveis por proteger os pontos de venda e o líder da quadrilha, Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso.

O inquérito, que durou mais de um ano, revelou que Juan Breno Ramos, o BMW, era o encarregado de aplicar as punições decididas pelos chefes. As ordens incluíam espancamentos brutais, sessões de tortura e execuções sumárias de quem ousasse desrespeitar as regras da facção.

Torturas transmitidas por vídeo e castigos cruéis

Para “manter a ordem” nos bailes funk das comunidades, os criminosos adotavam castigos cruéis:

  • Mulheres eram colocadas em galões de gelo;

  • Homens eram espancados e arrastados pelas ruas;

  • Suspeitos de trair a facção eram executados diante das câmeras.

Em um dos casos mais chocantes, Aldenir Martins do Monte Junior foi arrastado por sete minutos pelas vielas do Alemão, algemado e amordaçado. Durante a tortura, foi obrigado a delatar membros de grupos rivais, enquanto BMW ria e fazia uma chamada de vídeo com outro integrante do CV, Carlos Costa Neves, o Gadernal.

Aldenir está desaparecido, e a polícia acredita que tenha sido assassinado logo após o vídeo.

A operação, considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro, escancarou o nível de organização e crueldade com que o Comando Vermelho controla territórios e impõe o medo no Alemão e na Penha.

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