Após a operação que deixou 134 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, o IML do Rio foi fechado para o público. Apenas policiais e membros do Ministério Público têm acesso ao local. Famílias aguardam em um prédio do Detran para reconhecer corpos, enquanto moradores seguem recolhendo vítimas nas áreas de mata.

IML do Rio fecha após megaoperação que deixou 134 mortos

Após a megaoperação que deixou 134 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, o Instituto Médico-Legal (IML) do Rio de Janeiro foi fechado ao público. De acordo com a Polícia Civil, o acesso está restrito apenas a policiais e membros do Ministério Público durante as perícias, o que gerou revolta entre familiares que tentam localizar parentes desaparecidos.

Com o bloqueio, o IML montou um esquema emergencial de atendimento em um prédio anexo do Detran, no Centro do Rio. Centenas de pessoas se aglomeraram no local na manhã da quarta-feira (29), buscando informações sobre as vítimas. “A gente só quer enterrar nossos mortos, mas ninguém explica nada”, lamentou uma moradora do Complexo da Penha.

Enquanto isso, os corpos recolhidos por moradores continuam chegando à Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, transformada em ponto improvisado de concentração das famílias. Segundo equipes da Defesa Civil, ainda há relatos de cadáveres em áreas de mata na Serra da Misericórdia.

A Operação Contenção, deflagrada na terça-feira (28), envolveu 2,5 mil agentes e é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro. Além dos mortos, 81 pessoas foram presas e 93 fuzis apreendidos. A Polícia Civil informou que necropsias de casos não relacionados à operação estão sendo realizadas no IML de Niterói.

Para muitas famílias, porém, a maior dor é a espera. “Nem saber se o corpo está lá a gente consegue. O IML está fechado, e ninguém dá uma resposta”, disse o pai de um jovem desaparecido desde o início da operação.

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