A megaoperação Contenção, deflagrada nesta terça-feira (28) nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, teve reflexos em vários estados do país.
A megaoperação Contenção, deflagrada nesta terça-feira (28) nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, teve reflexos em vários estados do país. Além de dezenas de mortos e mais de cem presos, as forças de segurança confirmaram a presença de integrantes do Comando Vermelho (CV) vindos da Bahia, Ceará e Espírito Santo entre os alvos da ação.
De acordo com a Polícia Civil do Rio, 33 dos 113 presos são de fora do estado. As investigações indicam que criminosos foragidos de outros locais buscavam refúgio nas comunidades dominadas pelo CV, em troca de proteção e armamento pesado.
Capixabas entre os alvos da operação
No Espírito Santo, dois traficantes foram identificados entre os atingidos pela operação. Rauflan Santos Costa, apontado como operador financeiro do Comando Vermelho em Rio Bananal, foi preso. Ele é investigado por movimentar mais de R$ 1,1 milhão em contas bancárias suspeitas entre julho e dezembro de 2024.
Segundo o Ministério Público, Rauflan tinha ligação direta com Jandson de Jesus Ribeiro, considerado o chefe da facção no município e atualmente foragido no Rio. A prisão ocorreu após o avanço de uma investigação que apura a estrutura do tráfico no Norte capixaba.
Outro capixaba, Alisson Lemos Rocha, conhecido como Russo ou Gordinho do Valão, de 27 anos, foi morto em confronto com a polícia. Ele era apontado como chefe do tráfico no bairro Barro Branco, em Serra, e respondia por um homicídio cometido em abril deste ano.
Governo do ES monitora possíveis conexões
O secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, Leonardo Damasceno, informou que não há indícios de migração de criminosos para o estado após a megaoperação.
“É uma ação pontual, não uma ocupação permanente. A população pode ficar tranquila. Nossas inteligências estão em alerta total”, afirmou.
Durante sessão na Assembleia Legislativa, o presidente da Casa, Marcelo Santos (União Brasil), sugeriu reforço no policiamento das divisas com o Rio. Ele defendeu ainda uma atuação mais firme do Congresso no combate às facções criminosas que atuam em vários estados.
Quatro cearenses morreram na ofensiva
As autoridades do Ceará confirmaram a morte de pelo menos quatro integrantes da facção Comando Vermelho durante os confrontos no Rio de Janeiro. Os criminosos eram investigados por homicídios e tráfico de drogas em Fortaleza, com atuação concentrada nos bairros Pirambu e Carlito Pamplona.
Entre os mortos estão:
- Leilson Sousa da Silva, o Lelê (30), apontado como “gerente” do chefe do CV no Pirambu, respondia por tráfico e roubo;
- Francisco Teixeira Parente, o Mongol, acusado de envolvimento no assassinato do soldado da PM Heverton Gonçalves, em 2022;
- Luan Carlos Marcolino de Alcântara, o Tubarão, investigado por liderar o tráfico no Carlito Pamplona e por participação na morte do PM Bruno Lopes Marques, em 2024;
- Josigledson de Freitas Silva, o Gleissim ou Traquino, acusado de integrar organização criminosa.
Outro nome de destaque, Carlos Mateus da Silva Alencar, o Skidum ou Fiel, considerado o número 1 do CV no Pirambu, estava na região da operação, mas ainda não teve o óbito confirmado. Ele é foragido da Justiça e responde a 15 ações penais, 12 delas por homicídios.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Ceará (SSPDS-CE), Skidum deixou o estado para se refugiar no Rio, onde estaria sob proteção de Edgar Alves de Andrade, o Doca, um dos principais líderes da facção e alvo direto da megaoperação.
Baianos também estão entre mortos e presos
A operação também resultou na morte de integrantes baianos ligados ao Comando Vermelho. Um dos principais identificados é Júlio Souza Silva, nascido em Salvador e apontado como chefe da facção na Bahia.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Júlio estava em regime semiaberto e é suspeito de ter retornado ao tráfico após deixar o sistema prisional. No local onde foi encontrado, os agentes apreenderam um fuzil calibre 5.56 com a bandeira da Bahia estampada e nove motocicletas.
Outros baianos presos também foram identificados, e as forças de segurança dos estados seguem atuando de forma integrada para mapear o alcance nacional da facção.
Facção expande fronteiras e atrai criminosos foragidos
Fontes das polícias civis afirmam que o Rio de Janeiro se tornou um ponto de refúgio e cooperação para criminosos de outros estados. Esses integrantes são obrigados a fazer “plantões” armados em comunidades dominadas pelo CV, como forma de garantir abrigo e proteção.
Um pastor da Penha, ouvido sob anonimato, relatou que é comum a presença de forasteiros na mata da Vacaria, região onde dezenas de corpos foram encontrados após os confrontos da operação.
