Apreensão de 91 fuzis em operação no Rio revelou armas de exércitos da América do Sul e conexões entre facções de vários estados. A polícia investiga rotas internacionais e montagem de armamentos com peças compradas pela internet. O Rio concentra 40% das apreensões de fuzis do país.

 Fuzis apreendidos em megaoperação nesta terça, no Rio- Foto: reprodução/Agência Na Escuta
Fuzis apreendidos em megaoperação nesta terça, no Rio- Foto: reprodução/Agência Na Escuta

O arsenal de 91 fuzis apreendido na megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, na última terça-feira (28), revelou o alcance internacional e a capacidade bélica das facções cariocas. Entre as armas estavam modelos usados por exércitos da Venezuela, Argentina, Peru e Brasil, segundo o delegado Vinicius Domingos, da Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos.

As insígnias e gravações nas armas ajudam a polícia a mapear conexões entre o Comando Vermelho (CV) e grupos criminosos de outros estados. Alguns fuzis traziam nomes e símbolos que identificavam traficantes e quadrilhas, como referências ao “bonde do Panda”, do Complexo do Alemão, e a expressões como “baiano” e “Tropa do Lampião”, indicando a presença de criminosos do Nordeste e da Bahia. Em outro armamento, havia a marca da Família do Norte (FDN), de Manaus, evidenciando a cooperação entre facções.

Fuzis apreendidos em megaoperação nesta terça, no Rio- Foto: reprodução/Agência Na Escuta

Os investigadores afirmam que parte das armas chega ao país desmontada, com apenas as peças essenciais sendo contrabandeadas pelo Paraguai. Os componentes restantes seriam comprados legalmente pela internet e adaptados no Brasil. A maioria dos fuzis é dos calibres 5.56 e 7.62, com modelos de fabricação europeia. Um dos armamentos, o fuzil G3 alemão, é capaz de disparar até 10 tiros por segundo.

De acordo com Domingos, o uso desse tipo de arsenal coloca o Brasil entre os países mais armados por facções criminosas, atrás apenas de Colômbia e México. “São armamentos de guerra utilizados para manter o domínio territorial, causando prejuízos imensuráveis em vidas e economia”, disse o delegado.

Fuzis apreendidos em megaoperação nesta terça, no Rio- Foto: reprodução/Agência Na Escuta

Os números reforçam a preocupação: 593 fuzis foram apreendidos no estado entre janeiro e setembro deste ano, o maior número desde 2007. No total nacional, 1.471 fuzis foram recolhidos, sendo 40% apenas no Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Federal, uma quadrilha presa recentemente fabricava até 3.500 fuzis por ano para abastecer facções como o Comando Vermelho, com destino certo aos complexos da Penha, Alemão e Rocinha.

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