Parlamentares e representantes do Governo Federal se reuniram nesta quinta-feira (30) para discutir os desdobramentos da megaoperação mais letal do Rio de Janeiro, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na última terça-feira (28).
Parlamentares e representantes do Governo Federal se reuniram nesta quinta-feira (30) para discutir os desdobramentos da megaoperação mais letal do Rio de Janeiro, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na última terça-feira (28).
A deputada federal e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, Dani Monteiro (PSOL), foi uma das parlamentares a discursar e fez uma forte denúncia sobre o colapso no Instituto Médico-Legal (IML).
“A liberação dos corpos é morosa. Os corpos já estão fedendo. Não há geladeiras suficientes”, afirmou a deputada.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Reimon (PT), fez críticas ao Governo do Estado.
“O governador é um assassino. Essa é a pior chacina do Brasil, superando o que aconteceu no Carandiru. Direitos Humanos é para todas as pessoas humanas, independentemente de quem seja. O Brasil não tem pena de morte ou execução sumária. Não temos o direito de dormir tranquilos nas próximas noites”, disse.
Reimont afirmou que estava na manifestação de moradores que protestavam em frente ao Instituto Médico Legal (IML), que foi dispersada com uso de spray de pimenta por policiais militares.
“ Não tinha motivo para isso. Já tínhamos negociado a abertura de uma pista. Ainda estou engasgado com o spray pimenta”, reclamou Reimont.
Rakhel Rios, mãe de Yago Ravel, de 19 anos, morto e decapitado durante a megaoperação, também relatou falhas no sistema do IML e afirmou ter enfrentado dificuldades para ter acesso ao corpo do filho.
Após a operação, que deixou 134 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, o Instituto Médico-Legal (IML) do Rio de Janeiro foi fechado ao público. De acordo com a Polícia Civil, o acesso está restrito a policiais e membros do Ministério Público durante as perícias, o que gerou revolta entre familiares que tentam localizar parentes desaparecidos.
Com o bloqueio, o IML montou um esquema emergencial de atendimento em um prédio anexo do Detran, no Centro do Rio.
A Operação Contenção, deflagrada na terça-feira (28), envolveu 2,5 mil agentes e é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro. Além dos mortos, 81 pessoas foram presas e 93 fuzis apreendidos. A Polícia Civil informou que necropsias de casos não relacionados à operação estão sendo realizadas no IML de Niterói.
