Dick Cheney, ex-vice-presidente dos Estados Unidos durante os dois mandatos de George W. Bush, morreu nesta segunda-feira (3), aos 84 anos, em decorrência de pneumonia e problemas cardíacos e vasculares. Figura-chave na política americana, Cheney foi o principal conselheiro de Bush durante o combate ao terrorismo e a Guerra do Iraque, sendo amplamente reconhecido como o vice mais influente da história moderna. Apesar de décadas de problemas cardíacos, manteve-se ativo após um transplante de coração em 2012. Recentemente, surpreendeu ao apoiar Kamala Harris contra Donald Trump nas eleições de 2024.
Dick Cheney, amplamente considerado o vice-presidente mais poderoso da história dos Estados Unidos, morreu nesta segunda-feira (3), aos 84 anos. A informação foi confirmada por sua família, que informou que a causa da morte foram complicações de pneumonia e doenças cardíaca e vascular.
Cheney foi vice-presidente de George W. Bush em dois mandatos (2001–2009) e desempenhou papel determinante em um dos períodos mais turbulentos da política americana — marcado pelos ataques de 11 de setembro, pela “Guerra ao Terror” e pela invasão do Iraque. Ele deixa a esposa, Lynne Ann Vincent, duas filhas e sete netos.
Problemas de saúde e longevidade política
Acometido por doenças cardíacas durante grande parte da vida, Cheney sofreu cinco ataques cardíacos entre 1978 e 2010. Desde 2001, usava um dispositivo para regular os batimentos cardíacos, mas sua condição não o impediu de manter uma rotina intensa como vice-presidente. Em 2012, já fora da Casa Branca, passou por um transplante de coração bem-sucedido e manteve-se ativo até os últimos anos.
Apesar da saúde frágil, Cheney foi um dos políticos mais influentes do Partido Republicano. Nos bastidores, era conhecido por sua inteligência estratégica, discrição e habilidade para operar o poder de forma silenciosa, mas efetiva.
Rompimento com o trumpismo
Nos últimos anos, Cheney surpreendeu o público ao se afastar do Partido Republicano dominado por Donald Trump. Em 2024, declarou apoio à vice-presidente democrata Kamala Harris, afirmando que Trump representava uma ameaça à democracia americana.
“Temos o dever de colocar o país acima do partidarismo para defender nossa Constituição”, disse Cheney à época.
Sua filha, Liz Cheney, ex-deputada republicana por Wyoming, também rompeu com Trump após o ataque ao Capitólio em 2021 e se tornou uma das principais vozes conservadoras críticas ao ex-presidente.
O vice-presidente mais poderoso
Dick Cheney redefiniu o papel da vice-presidência nos Estados Unidos. Antes dele, o cargo era visto como meramente simbólico, mas sob Bush, Cheney se tornou um verdadeiro “superministro”, com acesso direto ao presidente e influência em todas as principais decisões da Casa Branca.
Com uma carreira extensa — que incluiu o cargo de secretário de Defesa no governo George H. W. Bush e uma década como deputado —, Cheney foi o principal arquiteto de políticas cruciais, como o uso do poder militar para promover a democracia no exterior, cortes de impostos e o fortalecimento da autoridade presidencial.
Foi ele quem ajudou a moldar a doutrina de segurança nacional americana após os atentados de 11 de setembro de 2001, defendendo intervenções militares no Afeganistão e no Iraque, bem como o uso de métodos controversos de interrogatório, o que mais tarde gerou forte crítica internacional.
Retrato no cinema e legado
A trajetória de Cheney foi contada no filme Vice (2018), dirigido por Adam McKay e estrelado por Christian Bale, que chegou a ser indicado ao Oscar por sua interpretação. A produção destacou a complexidade e o poder silencioso do político, explorando seu papel decisivo por trás das decisões mais polêmicas da era Bush.
Reservado e avesso aos holofotes, Cheney raramente dava entrevistas e preferia atuar nos bastidores. Mesmo assim, sua influência moldou a política americana por décadas e deixou marcas profundas na história do país.
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