O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou uma transição para uma “luta armada” caso os Estados Unidos ataquem o país. A declaração, feita durante o congresso do PSUV, ocorre em meio ao aumento das tensões após bombardeios americanos a embarcações no Caribe e a autorização de operações letais da CIA na Venezuela. Maduro mobilizou forças militares e civis e acusou os EUA de preparar uma agressão para derrubar seu governo.

Maduro ordena preparação para “luta armada” e eleva tensão com os EUA

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu nesta semana que as bases chavistas e a população se organizem para uma eventual transição “da luta não armada à luta armada” caso o país sofra um ataque estrangeiro — declaração feita durante o 5º Congresso do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Em discurso com tom fortemente político e mobilizador, Maduro afirmou que o partido deve aplicar “imediatamente” um conjunto de medidas e ordens operacionais em “cada rua e em cada comunidade” para defender a integridade territorial.

A fala do presidente ocorre em meio a uma escalada de tensão na região, impulsionada por uma série de ações americanas no Caribe e no Pacífico contra embarcações que os EUA atribuem ao tráfico. Autoridades norte-americanas afirmaram que as operações, iniciadas em setembro, já resultaram em dezenas de mortos e em múltiplos ataques a barcos suspeitos, numa campanha que Washington diz visar “narcoterroristas”. A sequência de ataques intensificou as críticas de Caracas e detonou um acirramento retórico entre os dois governos.

Outro fator que elevou ainda mais o clima foi a confirmação, em meados de outubro, de que o governo dos EUA autorizou operações encobertas da CIA na Venezuela — decisão que Washington comunicou publicamente e que foi amplamente noticiada internacionalmente. A descoberta ampliou as acusações de Maduro sobre “interferência” e aumentou o temor de escalada que poderia sair do campo das ações secretas para confrontos mais abertos.

Em seu pronunciamento, Maduro afirmou que as medidas aprovadas pelo PSUV visam garantir “a dignidade e o direito à paz” da população, ao mesmo tempo em que anunciou mobilizações militares e civis em pontos estratégicos do país — incluindo exercícios em Caracas e a ativação de zonas de defesa integral em estados como Mérida, Trujillo e Lara. O Palácio de Miraflores também denunciou a possibilidade de operações de “bandeira falsa” por parte de atores externos, argumento usado para justificar a preparação da população.

Especialistas consultados por veículos internacionais apontam que a combinação — ataques navais e autorização para operações encobertas — cria um cenário de alto risco geopolítico: por um lado, a Casa Branca justifica as ações como medidas de combate ao narcotráfico; por outro, críticos dentro e fora dos EUA alertam para a falta de transparência, para riscos de violações de direito internacional e para o potencial de escalada para um confronto militar mais amplo. Jornais como The Guardian e agências como Reuters e AP têm noticiado a crescente preocupação no Congresso americano e entre observadores internacionais.

A repercussão internacional já começa a aparecer em canais diplomáticos: governos e organismos multilaterais têm chamado por contenção e pelo uso de vias diplomáticas, enquanto ONGs e especialistas em direito internacional pedem transparência sobre as evidências que justificam as ações militares e as operações encobertas. Até o momento não há confirmação de um confronto direto entre Estados Unidos e Venezuela, mas as medidas anunciadas por Maduro representam uma mudança de tom importante que deve ser acompanhada de perto nas próximas semanas.

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