O ex-goleiro Edinho fez revelação sobre seu pai, Pelé, na época em que ficou preso, por ligação com organização de tráfico de drogas, em 2005.
O livro Diário de Tremembé – O Presídio dos Famosos, escrito pelo ex-prefeito e jornalista Acir Filló, mostra uma possível conversa com Edson Cholbi Nascimento, mais conhecido como Edinho, filho de Pelé. No diálogo mostrado na obra censurada pela Justiça, o filho do Rei desabafa sobre a relação distante que mantinha com o pai.
No livro, o trecho é datado em 2005, época da prisão de Edinho, que foi acusado de ligação com uma organização de tráfico de drogas. Segundo o jornalista, o ex-goleiro sofria com a ausência de Pelé.
“A separação dos meus pais [ocorrida em 1974], quando eu ainda era criança, me abalou muito e gerou uma grande mágoa no meu coração. Por falta de entendimento e em razão da minha idade, eu tinha muita raiva e até ódio do meu pai por ele ter nos abandonado”, teria dito Edinho, num diálogo.
O jornalista, ainda, relata que o goleiro afirmava ter vergonha de falar que era filho de Pelé, “já que nos Estados Unidos, na década de 70, o futebol era praticado majoritariamente por mulheres”.
Edinho é fruto do relacionamento de Pelé com Rosemeri dos Reis Cholbi, com quem ainda teve mais duas filhas: Kely Cristina Cholbi Nascimento e Jeniffer Cholbi Nascimento.
“Eu criei uma imagem negativa do meu pai. Da boca para fora, dizia que não o amava. Na minha cabeça, ele fazia minha mãe infeliz e, por isso, era o vilão, o homem mau da história”, teria dito Edinho outro trecho da obra.
O ex-goleiro, ainda, afirma que com o passar do tempo, mudou seu pensamento.
“Quando criança, eu tinha raiva do meu pai, mas ao me tornar adulto, caí na real e passei a compreender que separações entre casais são comuns. Somente ao me tornar adulto percebi que meu pai nunca foi meu, da minha mãe ou da minha família. Ele era e ainda é do mundo”, completou.
O livro ‘proibido’
O livro Diário de Tremembé – O Presídio dos Famosos relata interações, desabafos e experiências de Filló, enquanto ficou preso no Centro de Detenção Provisória III de Pinheiros e também de sua passagem pela P2 de Tremembé.
O livro relata encontros com presos famosos, como Cristian Cravinhos, Alexandre Nardoni, Gil Rugai, Lindenberg Alves, Mizael Bispo de Souza e Guilherme Longo.
Apesar de ter tido um grande interesse público, a obra foi e continua proibida de circular até os dias atuais, após decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). De acordo com João Morenghi, relator da ação, parar com a comercialização do livro visa proteger a imagem de detentos expostos no livro.
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