Apenas quatro estados — Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio Grande do Norte e Distrito Federal — não têm presença da facção Comando Vermelho em presídios. Especialistas explicam que o RS é dominado por grupos locais que se formaram antes da expansão do CV, o que impediu a entrada da facção. A multiplicidade de organizações regionais também criou um cenário competitivo que bloqueia o avanço de grupos externos.
Um levantamento divulgado pelo g1 revelou que apenas quatro estados brasileiros — Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio Grande do Norte e Distrito Federal — não possuem células da facção Comando Vermelho (CV) atuando dentro de penitenciárias. O dado chama atenção diante da ampla expansão da organização criminosa pelo país nas últimas décadas.
De acordo com especialistas, o Rio Grande do Sul é um dos casos mais emblemáticos. A ausência do CV nas prisões gaúchas se explica pela formação prévia de facções locais, que já controlavam o sistema prisional antes da tentativa de expansão do Comando Vermelho, criado no fim da década de 1970.
“Esses grupos se organizaram antes da expansão nacional do Comando Vermelho e acabaram ocupando o espaço de poder criminal de forma autônoma”, explicou Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, professor da Escola de Direito da PUCRS e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O juiz de Direito Sidinei Brzuska também destacou que, no Rio Grande do Sul, as prisões mais relevantes já estão dominadas por organizações locais, o que dificulta a entrada de grupos externos.
“Pararam de disputar pontos de tráfico em Porto Alegre e foram dominar cidades que ainda não tinham crime organizado. Não ficou vácuo de poder para gente de fora vir aqui ocupar”, afirmou.
Além disso, o número elevado de facções regionais cria um ambiente de competição que inviabiliza a hegemonia de uma única organização nacional.
“A multiplicidade de grupos locais cria um campo competitivo que torna difícil a hegemonia do Comando Vermelho. Cada facção ocupa nichos específicos e constrói redes próprias de proteção e financiamento”, acrescentou Azevedo.
A situação contrasta com a de estados como Rio de Janeiro, Acre e Amazonas, onde o Comando Vermelho possui forte presença, tanto dentro quanto fora dos presídios, influenciando o tráfico e disputas territoriais.
Leia mais:
