Três tornados devastaram cidades do Paraná na sexta (7), com ventos de até 330 km/h. Rio Bonito do Iguaçu foi a mais atingida, com 90% dos imóveis destruídos. Seis pessoas morreram e mais de 700 ficaram feridas. O governo estadual liberou R$ 50 milhões para reconstrução.

Tornado devastou Rio Bonito do Iguaçu (PR) — Foto: Ari Dias/AEN
Tornado devastou Rio Bonito do Iguaçu (PR) — Foto: Ari Dias/AEN

O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou nesta segunda-feira (10) que três tornados atingiram cidades da região central do estado na última sexta-feira (7). Os fenômenos ocorreram em Rio Bonito do Iguaçu, Guarapuava e Turvo, provocando destruição em larga escala e deixando um saldo trágico de seis mortos e mais de 700 feridos.

O caso mais grave foi registrado em Rio Bonito do Iguaçu, município com cerca de 14 mil habitantes, onde 90% dos imóveis foram destruídos. De acordo com o Simepar, o tornado que atingiu a cidade foi formado dentro de uma supercélula, tipo mais severo de tempestade, e alcançou ventos entre 300 km/h e 330 km/h, sendo classificado como F3 na escala Fujita.

Outras duas tempestades severas também geraram tornados: um em Guarapuava, na região do distrito de Entre Rios, com ventos de até 250 km/h (F2), e outro em Turvo, ao sul da área urbana, com rajadas próximas de 200 km/h (também F2).

As informações foram confirmadas após vistorias em solo, sobrevoos e análises de radar, segundo o Simepar. As condições atmosféricas no dia — marcadas por alta umidade, calor intenso e ventos em diferentes direções e altitudes — criaram o ambiente ideal para a formação das tempestades.

Em Rio Bonito do Iguaçu, o cenário foi descrito por autoridades como “de guerra”. O subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Jonas Emmanuel Benghi Pinto, afirmou que o trabalho agora se concentra na retirada de destroços e assistência às famílias.

O Governo do Paraná anunciou R$ 50 milhões do Fundo Estadual de Calamidade Pública (Fecap) para a reconstrução da cidade. O valor será usado, entre outras medidas, para repassar até R$ 50 mil por residência destruída.

O prefeito Sezar Augusto Bovino disse que a cidade “terá que ser reconstruída do zero”. A prova do Enem, que seria aplicada no domingo (9), foi adiada, e o INSS autorizou a antecipação de benefícios assistenciais para os moradores.

Entre os relatos mais comoventes está o de Antonio Gieteski, filho de uma das vítimas fatais. Ele contou que o pai, José Gieteski, morreu quando a casa da família foi arremessada a mais de 30 metros pela força do tornado. “Foi como se caísse uma bomba. Em pouco mais de um minuto, a casa inteira voou”, relatou.

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