Conflito entre PCC e Comando Vermelho transforma Rio Claro (SP) em novo foco da guerra do tráfico. A cidade registrou aumento de 26,3% nos homicídios em 2025, e o CV tenta expandir domínio pela região devido à localização estratégica.

Território de Rio Claro segue sob disputa entre facções (Foto: Prefeitura Rio Claro)
Território de Rio Claro segue sob disputa entre facções (Foto: Prefeitura Rio Claro)

Principais facções do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) ainda disputam territórios em busca de hegemonia no Brasil. Os intensos conflitos tem transformado a cidade de Rio Claro, no interior de São Paulo, em um campo de guerra.

O município registrou 24 homicídios dolosos, sendo oito execuções, somente em 2025, números 26,3% maior em comparação com o ano anterior.

Homicídios dolosos aumentaram mais de 26% em 2025 (Foto: Reprodução)

Homicídios dolosos aumentaram mais de 26% em 2025 (Foto: Reprodução)

O PCC domina o tráfico de drogas no estado de São Paulo, mas não tem histórico de atuação em Rio Claro, onde ainda prevalecem grupos locais, de menor expressão, como o ‘Bonde do Magrelo’.

Dominante em 24 dos 27 estados do Brasil, o CV observa a possibilidade de agregar o município em seus domínios, principalmente pela facilidade de acesso às rodovias Anhanguera, Bandeirantes e Washington Luís, que podem potencializar o escoamento de produtos.

Rio Claro é campo de guerra entre facções

Com pouco mais de 210 mil habitantes, o município de Rio Claro segue sendo preocupação no quesito segurança pública devido ao alto número de mortes por conflitos entre facções. A média é de 11,92 homicídios a cada 100 mil habitantes, quase três vezes a média do estado, de 4,09.

Em entrevista ao g1, o delegado seccional de Rio Claro, Paulo César Junqueira Hadich, comentou o problema. “Nós temos as motivações comuns, mas há também homicídios ligados a disputas de espaço e poder entre grupos criminosos”.

Conflitos entre criminosos aumenta debate sobre segurança pública no município (Foto: Prefeitura de Rio Claro)

Conflitos entre criminosos aumenta debate sobre segurança pública no município (Foto: Prefeitura de Rio Claro)

Um morador declarou que o município tem se tornado cada vez mais perigoso. “A violência aumentou consideravelmente. Dependendo do horário e do local, é preciso ficar muito atento”, disse o homem que não quis se identificar.

“A gente não sabe o motivo, mas sempre tem uma notícia de assassinato. É estranho, né? Porque a cidade é pequena”, relatou outra jovem.

PCC e CV disputando espaço

Um relatório de inteligência policial mapeou os conflitos entre as organizações criminosas, e justifica a crescente nos casos de violência.

Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, o ‘Bode’, foi identificado como chefe do CV na região, ao lado de Edvaldo Luís Lopes Júnior, o ‘Grão’, atuando como braço direito. Ambos foram ‘decretados’ pela facção rival.

Hadich declarou que as autoridades encontram dificuldade para solucionar os casos em meio ao banho de sangue. “Quem executa [os crimes] muitas vezes não é da região, e testemunhas têm medo de falar. Nosso trabalho é técnico e minucioso para transformar informações em provas só”, afirmou.

“Rio Claro sofre com os mesmos problemas das grandes e médias cidades, especialmente ligados ao tráfico de drogas”, completou.

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