A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (13), a terceira fase da Operação Fake Agents, que apura um esquema de saques indevidos do FGTS de jogadores e treinadores de futebol. As ações acontecem no Rio de Janeiro e têm como alvo funcionários e ex-funcionários da Caixa Econômica Federal suspeitos de envolvimento nas fraudes.

Jogadores Raniel, Cueva e Ramires estão entre os atletas lesados por desvios no FGTS. Foto: Bruno Santoni/Santos FC; Ivan Storti/Santos FC; Cesar Greco/Palmeiras.
Jogadores Raniel, Cueva e Ramires estão entre os atletas lesados por desvios no FGTS. Foto: Bruno Santoni/Santos FC; Ivan Storti/Santos FC; Cesar Greco/Palmeiras.

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (13), a terceira fase da Operação Fake Agents, que apura um esquema de saques indevidos do FGTS de jogadores e treinadores de futebol. As ações acontecem no Rio de Janeiro e têm como alvo funcionários e ex-funcionários da Caixa Econômica Federal suspeitos de envolvimento nas fraudes.

Em agosto, o RJ2 revelou que a advogada Joana Costa Prado de Oliveira foi acusada por atletas e dirigentes de desviar cerca de R$ 7 milhões do fundo. Ela já havia sido alvo de buscas em fases anteriores da operação e, em setembro, foi suspensa pela OAB-RJ.

Nesta etapa, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em residências de três bancários, localizadas na Tijuca, Ramos e Deodoro, além de uma agência da Caixa no Centro do Rio. Segundo as investigações, eles manipulavam irregularmente as contas de FGTS de vários profissionais do futebol, entre eles:

  • Cueva, ex-São Paulo e Santos;

  • João Rojas, que também atuou pelo São Paulo;

  • Ramires, ex-jogador da Seleção e do Palmeiras

  • Raniel, com passagens por Vasco e Santos;

  • Titi, ex-Vasco e atualmente no Goiás.

A PF também apura indícios de fraudes ligadas aos nomes de Paulo Roberto Falcão, Felipão, Gabriel Jesus, Donatti e Obina.

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, Joana Costa Prado atuava em duas frentes de fraude. Em alguns casos, ela era advogada contratada por jogadores e técnicos em ações trabalhistas, recebendo valores de causas ganhas ou do FGTS e não repassando o dinheiro aos clientes — alegando que os pagamentos ainda não haviam sido liberados.

Um dos casos é o do técnico Oswaldo de Oliveira, que afirma que a advogada reteve cerca de R$ 3 milhões obtidos em processos contra Corinthians e Fluminense.

Em outras situações, Joana teria usado documentos e dados de atletas sem vínculo profissional para abrir contas e realizar saques irregulares. Segundo a PF, ela contou com apoio de funcionários da Caixa, que facilitavam o acesso aos sistemas internos e às agências.

As investigações indicam que o esquema movimentou pelo menos R$ 7,7 milhões entre 2022 e 2024. A advogada nega as acusações e diz que foi vítima de um golpe.

Origem das investigações

A operação começou após um banco privado denunciar uma possível fraude à Polícia Federal. O primeiro caso envolveu uma conta aberta com documentos falsos em nome do atacante Paolo Guerrero, ex-Corinthians, Flamengo e Internacional. O prejuízo estimado nesse episódio é de R$ 2,2 milhões.

A ação é conduzida pela Unidade de Investigações Sensíveis da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários da PF no Rio, com apoio da área de inteligência e segurança da Caixa. Os crimes investigados incluem falsificação de documento público, estelionato e associação criminosa.

O que dizem os envolvidos

Em nota, a defesa de Joana Costa Prado afirmou que a advogada não é alvo desta nova fase da operação, que agora apura a participação de bancários. Disse ainda que ela colabora com as investigações e que foi a própria denunciante do esquema, em 2022, ao apresentar uma notícia-crime à PF no Rio.

A Caixa Econômica Federal, por sua vez, declarou que mantém uma equipe técnica especializada para identificar e prevenir fraudes, e que atua em conjunto com a PF e outros órgãos de controle. O banco reforçou que os valores desviados são restituídos aos clientes após a comprovação das irregularidades.

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