Justiça determinou liberdade provisória, com tornozeleira, para o homem que confessou matar Júlia Eduarda, grávida de quatro meses. Ele foi preso apenas por ocultação de cadáver, crime de baixa pena, e a preventiva foi negada. Júlia desapareceu ao encontrar o pai do bebê e foi achada morta em área rural. O suspeito confessou feminicídio com golpe de martelo e asfixia. O caso segue para análise em São Bento do Una.
A Justiça determinou, nesta quinta-feira (13), durante audiência de custódia no Fórum de Pesqueira (PE), que o homem de 43 anos que confessou ter assassinado Júlia Eduarda Andrade dos Santos, 26 anos e grávida de quatro meses, seja colocado em liberdade provisória mediante instalação de tornozeleira eletrônica. O equipamento deverá ser colocado em até cinco dias. Até lá, ele permanecerá no Presídio de Pesqueira.
O suspeito havia sido preso em flagrante por ocultação de cadáver. O juiz homologou o flagrante, mas negou o pedido de prisão preventiva por entender que o crime pelo qual foi autuado tem pena máxima de três anos, o que inviabiliza o uso da medida. Segundo a decisão, a pena baixa e o fato de o homem não possuir antecedentes criminais indicam que uma eventual condenação ocorreria em regime aberto, tornando a preventiva desproporcional.
O Ministério Público havia solicitado a preventiva pelo feminicídio — crime já confessado pelo investigado. No entanto, o magistrado afirmou que essa análise deve ser feita por uma das varas da Comarca de São Bento do Una, onde o assassinato ocorreu. O processo será redistribuído para que o pedido seja examinado.
A decisão também determina que, caso a tornozeleira não seja instalada dentro do prazo de cinco dias, o alvará de soltura deverá ser expedido da mesma forma. Fora da prisão, ele deverá cumprir medidas cautelares como manter endereço atualizado, comparecer mensalmente à Justiça, recolher-se às 22h e abster-se de consumir drogas ilícitas ou bebidas alcoólicas. Também foi fixada fiança equivalente a um terço do salário mínimo.
O crime
Júlia Eduarda estava desaparecida desde a manhã de quarta-feira (5), quando saiu de casa para encontrar o pai do bebê que esperava. O desaparecimento foi registrado no dia seguinte. Durante sete dias, familiares e moradores de São Bento do Una organizaram buscas na tentativa de localizá-la.
O corpo da jovem foi encontrado em uma área de mata na zona rural, entre São Bento do Una e Sanharó, na tarde de quarta-feira (12). Ela apresentava ferimentos provocados por arma branca. A localização ocorreu após a polícia rastrear uma pane mecânica no carro do suspeito no dia do desaparecimento. A pessoa que ajudou a rebocar o veículo indicou aos investigadores o ponto exato — e, próximo dali, o corpo foi localizado.
Preso em flagrante, o homem confessou ter matado Júlia com um golpe de martelo e afirmou que utilizou sacolas plásticas para provocar a asfixia. Moradores chegaram a se concentrar em frente à delegacia pedindo justiça.
O caso agora segue para a Justiça de São Bento do Una, que decidirá sobre o pedido de prisão preventiva pelo feminicídio.
