A mãe de Yago Ravel Rodrigues Rosário, jovem decapitado durante a megaoperação no Complexo da Penha, surgiu visivelmente abalada nas redes sociais após a divulgação do laudo do IML, que revelou novas lesões no corpo do rapaz, incluindo fratura na coluna, ferimentos internos e indício de perfuração por tiro. A família contesta a versão policial e acusa agentes de envolvimento na decapitação, enquanto o governo afirma que criminosos teriam cometido o ato e aponta supostas imagens que associariam Ravel ao tráfico — versão negada pelos parentes. O caso reacende a polêmica sobre a operação mais letal da história do Rio, que deixou 117 mortos.

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A mãe de Yago Ravel Rodrigues Rosário, de 19 anos, apareceu profundamente abalada nas redes sociais na manhã desta sexta-feira (14). Em seus stories, ela publicou uma imagem em preto e branco, sem legenda, após vir à tona o laudo da necropsia que traz novas revelações sobre a morte do jovem, encontrado decapitado no Complexo da Penha durante a megaoperação policial realizada em 28 de outubro.

Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, o documento do Instituto Médico-Legal (IML) aponta que, além da divisão cervical e dos vasos do pescoço, Ravel apresentava fratura na coluna lombar com lesão na medula, ferimentos no pulmão direito, no fígado e no estômago, além de uma lesão perfurocontusa — indicativo compatível com marcas de tiro.

A família, no entanto, afirmava que o corpo não tinha perfurações quando foi encontrado em uma área de mata. A companheira de Yago, mãe de sua filha, foi quem localizou o cadáver. Imagens e vídeos obtidos pelo BacciNotícias mostram que a cabeça do jovem estava presa em uma árvore e, depois, foi colocada dentro de uma mochila antes de ser entregue à família.

Os familiares acusam policiais de terem decapitado o jovem, enquanto o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, sustenta que a ação teria sido cometida por criminosos numa tentativa de incriminar os agentes.

Em relatório enviado ao STF, o governo de Cláudio Castro (PL) afirma que Yago “não possui anotações criminais e não figura como autor ou envolvido em registros de ocorrência”. O documento, porém, inclui uma foto do jovem e alega que “imagem em rede social demonstra envolvimento com o tráfico”. A família nega qualquer ligação com o crime e diz que Ravel trabalhava como mototaxista, desconhecendo vínculos dele com o Comando Vermelho (CV).

A operação mais letal da história do Rio de Janeiro

A megaoperação nos Complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, foi considerada a mais letal já registrada no estado. O governo afirma que 117 pessoas morreram, entre elas quatro policiais.
Dos 115 nomes divulgados oficialmente, 97 tinham passagens pela polícia, a maioria por tráfico de drogas. Ainda segundo o estado, mais de 95% dos mortos teriam “vínculo comprovado” com o Comando Vermelho, e 54% não eram do Rio de Janeiro. Nenhuma mulher aparece na lista das 121 mortes registradas no contexto da ação.

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