Setores de carne, café e frutas no Brasil reagiram com pessimismo à decisão dos EUA de manter a tarifa de 40% ao país, apesar de reduzir impostos para outros 200 produtos. Países concorrentes, como Colômbia e Vietnã, tiveram tarifas zeradas, o que, segundo o Cecafé, deixa o Brasil fora da competição e ameaça a presença do café brasileiro no mercado americano.

‘Piorou para o Brasil’, dizem exportadores de café após redução de tarifas de Trump

Exportadores brasileiros de carne, café e frutas demonstram crescente preocupação após os Estados Unidos anunciarem, na última sexta-feira (14), a redução da tarifa global de importação de 10% para cerca de 200 produtos. Apesar da medida, a sobretaxa aplicada ao Brasil foi mantida em 40%, o que acendeu um sinal vermelho no setor.

Para o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, a situação deixa o país em desvantagem direta diante dos concorrentes. “Melhorou para os nossos concorrentes e piorou para o Brasil”, afirmou ao g1. Enquanto o café brasileiro continua sujeito à taxa de 40%, países como Colômbia e Vietnã — principais competidores — tiveram suas tarifas zeradas.

Segundo Matos, alguns desses países já possuíam acordos bilaterais, enquanto outros operavam sob a taxa de 10% e agora foram beneficiados com a completa isenção. O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, também manifestou preocupação em entrevista à GloboNews, ressaltando que a manutenção da tarifa torna inviável a competitividade brasileira. “[A taxa de] 40%, se ficar, continua proibitiva e não muda nada. O Brasil continua totalmente fora do jogo”, afirmou.

O cenário pressiona ainda mais o agronegócio brasileiro em um momento de disputa crescente por espaço no mercado internacional — e reacende debates sobre acordos comerciais, diplomacia econômica e estratégias para evitar perdas bilionárias ao setor.

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