A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou, nesta sexta-feira (14), que Alice Martins Alves, mulher trans de 33 anos, morreu dias depois de ser espancada por funcionários de um bar na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte. A investigação aponta que a violência começou após ela deixar o estabelecimento sem pagar uma conta de apenas R$22.

Homem de 27 anos comandou o ataque e se referiu à vítima no masculino, evidenciando transfobia; segundo a polícia, motivação foi gorjeta não recebida. Foto: Reprodução / Redes sociais.
Homem de 27 anos comandou o ataque e se referiu à vítima no masculino, evidenciando transfobia; segundo a polícia, motivação foi gorjeta não recebida. Foto: Reprodução / Redes sociais.

A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou, nesta sexta-feira (14), que Alice Martins Alves, mulher trans de 33 anos, morreu dias depois de ser espancada por funcionários de um bar na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte. A investigação aponta que a violência começou após ela deixar o estabelecimento sem pagar uma conta de apenas R$22.

De acordo com a polícia, Alice era cliente conhecida da lanchonete Rei do Pastel e costumava frequentar o local. Na noite de 23 de outubro, ela consumiu bebidas e foi embora sem quitar a conta, algo que, segundo funcionários, acontecia com alguns clientes que depois retornavam para pagar.

Mas, desta vez, dois trabalhadores do bar seguiram Alice até uma rua próxima. Ali, segundo a perícia, ela foi violentamente agredida, principalmente com golpes no tórax e abdômen. As lesões causaram fraturas internas que mais tarde evoluíram para infecção generalizada.

Alice só não morreu no local porque um motociclista que passava pela rua interveio e enfrentou os agressores. Ele permaneceu ao lado dela até a chegada do SAMU. A vítima foi atendida e recebeu alta ainda naquela noite.

Dias de dor e agravamento

De volta para casa, Alice passou dias com dores intensas. Em 26 de outubro, exames identificaram costelas quebradas e outras lesões graves. Em 5 de novembro, debilitada, ela registrou ocorrência e fez exame de corpo de delito.

Seu estado de saúde continuou piorando: perdeu 12 quilos, teve dificuldade para se alimentar e viveu com dores constantes. Em 8 de novembro, já muito fraca, foi internada em um hospital de Betim, onde foi detectada uma perfuração no intestino causada pelos golpes. Ela morreu no dia 9 por choque séptico.

Como o exame de corpo de delito já havia comprovado as agressões, o caso não precisou passar pelo IML.

Investigação apura transfobia

A Polícia Civil investiga se o espancamento teve motivação transfóbica, o que pode mudar a classificação do crime. Os suspeitos seguem em liberdade, mas medidas cautelares já foram determinadas.

Bar se posiciona

Em nota, a lanchonete Rei do Pastel afirmou que colabora com as autoridades, repudia qualquer tipo de discriminação e aguarda a conclusão das investigações. O caso segue sob sigilo.

 

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