Quatro PMs, um deles com metralhadora, entraram na Emei Antônio Bento após um pai reclamar do desenho de Iansã feito pela filha em atividade antirracista. Ele já havia rasgado um mural no dia anterior. Testemunhas relatam abuso de poder e crianças assustadas. SSP diz que policiais orientaram as partes; SME afirma que a atividade integra o currículo obrigatório.

PMs entram em escola com metralhadora após reclamação sobre desenho

Quatro policiais militares armados, incluindo um portando metralhadora, entraram na Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Antônio Bento, no Caxingui, zona oeste de São Paulo, após um pai se incomodar com uma atividade sobre orixás realizada por sua filha de 4 anos. O homem acionou a PM ao ver que a criança havia desenhado a orixá Iansã, conteúdo que integra o currículo antirracista da rede municipal.

No dia anterior, ele já havia demonstrado irritação com a atividade e chegou a rasgar um mural com desenhos feitos pelos alunos, segundo a mãe de outro estudante. A direção orientou que ele participasse de uma reunião do Conselho da Escola, na tarde de quarta-feira (12), mas o homem não compareceu — em vez disso, chamou a Polícia Militar.

Os policiais, que não pertencem à ronda escolar, chegaram à instituição por volta das 16h e afirmaram à direção que a atividade configuraria “ensino religioso” e que a criança estaria sendo exposta a conteúdos de uma religião não praticada pela família. A abordagem, segundo testemunhas, foi hostil.

Pais relatam que os agentes demonstraram “abuso de poder, assustando crianças e funcionários”. A diretora passou mal durante a ação e precisou ser retirada da escola. Os PMs permaneceram dentro do prédio por pouco mais de uma hora, até que um grupo de responsáveis conversou com eles para que deixassem o local. A ação foi registrada pela câmera corporal de um dos agentes e pelo sistema de segurança interno.

O que dizem as autoridades

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que os policiais conversaram com o pai e com a direção da escola, orientando ambos a registrar boletim de ocorrência. Disse ainda que a Corregedoria da PM está à disposição para apurar a conduta dos agentes e que o uso do armamento — incluindo metralhadora — faz parte do Equipamento de Proteção Individual (EPI) durante o turno.

Já a Secretaria Municipal de Educação informou que explicou ao pai que a atividade fazia parte de uma produção coletiva baseada no Currículo da Cidade de São Paulo, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena.

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