A PF prendeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante a Operação Compliance Zero, que investiga emissão de títulos falsos e gestão fraudulenta. No mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de sua corretora, encerrando negociações para venda ao Grupo Fictor. O banco já era alvo de alertas por práticas arriscadas no mercado.
A Polícia Federal prendeu, na manhã desta terça-feira (18), o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante a Operação Compliance Zero. A ação ocorreu em São Paulo e investiga um esquema de emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras ligadas ao Sistema Financeiro Nacional. Entre os crimes apurados pela PF estão gestão fraudulenta, gestão temerária, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta que o Banco Master estaria envolvido na emissão irregular de papéis financeiros com lastro falso, movimentando valores expressivos no mercado. Os agentes cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes estados, para aprofundar o levantamento de documentos, sistemas e transações sob suspeita.
Ao mesmo tempo em que a operação era deflagrada, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, medida que pegou o mercado de surpresa e encerrou qualquer possibilidade de continuidade das atividades da instituição. A decisão ocorre menos de 24 horas após o Grupo Fictor demonstrar interesse em adquirir o banco.
A liquidação, assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, também abrange a corretora de câmbio vinculada ao Master. Com isso, todas as operações passam a ser administradas por um interventor nomeado pela autarquia, que assume imediatamente o controle da instituição, avaliando dívidas, ativos e possíveis irregularidades.
O Master já estava no radar do Banco Central desde setembro, quando a instituição teve negada uma autorização para ser adquirida pelo Banco de Brasília (BRB). À época, especialistas apontaram que o modelo de negócios do Master era arriscado: o banco emitia títulos garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) oferecendo taxas muito acima das praticadas pelo mercado, levantando alertas sobre sustentabilidade e risco sistêmico.
