Acusada de envolvimento na morte do próprio filho, um menino de um ano, Jeana de Souza Barbosa enfrenta o júri popular nesta terça-feira (18), em Fortaleza. O pai da criança, Fernando Lucas de Miranda Gonçalves Feijão, também denunciado, já foi julgado e condenado a 52 anos e nove meses de prisão pelo homicídio.

Jeana de Souza Barbosa será julgada por videoconferência; sessão está marcada para as 13h30 no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. Foto: TJCE.
Jeana de Souza Barbosa será julgada por videoconferência; sessão está marcada para as 13h30 no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. Foto: TJCE.

Acusada de envolvimento na morte do próprio filho, um menino de um ano, Jeana de Souza Barbosa enfrenta o júri popular nesta terça-feira (18), em Fortaleza. O pai da criança, Fernando Lucas de Miranda Gonçalves Feijão, também denunciado, já foi julgado e condenado a 52 anos e nove meses de prisão pelo homicídio.

A sessão, presidida pelo juiz da 2ª Vara do Júri de Fortaleza, está marcada para 13h30 no Fórum Clóvis Beviláqua. Jeana participará por videochamada, pois está presa na Colônia Penal Feminina Bom Pastor, em Recife.

Representada pelos advogados Fernanda Melo e Jader Aldrin, a defesa afirma que Jeana também era vítima do marido, sofrendo agressões físicas, psicológicas e sexuais. Segundo os advogados, há boletim de ocorrência registrado e testemunhas que confirmam a violência.

“A nossa tese é de coação irresistível”, dizem os defensores. Eles afirmam que Jeana não participou do crime e que, se houve omissão, ela ocorreu sob ameaças constantes de Fernando.

O Tribunal de Justiça do Ceará manteve a ida da ré ao júri após recurso da defesa.

O que diz a acusação

O Ministério Público do Ceará (MPCE) denuncia o casal por homicídio por motivo torpe e aponta que o menino era vítima de maus-tratos recorrentes. De acordo com o laudo pericial, o crime foi cometido com meio cruel.

Segundo o MPCE, Fernando agressivamente espancava o bebê, especialmente durante brigas com Jeana. Já a mãe teria se omitido, mesmo sendo responsável por protegê-lo.

O órgão também pediu a perda do poder familiar sobre a irmã do menino, na época com dois anos, alegando histórico de maus-tratos.

O dia do crime

O caso ocorreu em 16 de agosto de 2023, no Conjunto Palmeiras, em Fortaleza. O bebê, que tinha deficiência decorrente de um coágulo cerebral foi internado no Instituto Doutor José Frota (IJF). Jeana inicialmente afirmou que a criança caiu da cama.

Porém, segundo o laudo cadavérico, as lesões não eram compatíveis com queda, mas sim com espancamento e até sinais de esganadura. O bebê permaneceu internado por 41 dias, passou por cirurgia neurocirúrgica e morreu em 27 de setembro de 2023.

Versões dos acusados

Em interrogatório, Jeana declarou que Fernando insistia para que ela trocasse a fralda do bebê e que pouco depois encontrou o filho convulsionando. Já Fernando culpou a esposa, alegando que não sabia da causa das lesões e que acreditava na versão de queda.

O MPCE contesta ambas as versões e afirma que a criança era agredida frequentemente, com conhecimento dos dois.

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