O MPSP denunciou oito suspeitos pela morte do ex-delegado Ruy Ferraz e afirmou não haver provas suficientes contra outros cinco investigados, que seguem soltos com cautelares. A Promotoria atribui o crime ao PCC, mas não identifica mandantes. Suspeitos foram ligados ao caso por digitais, materiais genéticos e uso de casas e veículos. As investigações continuam para esclarecer o envolvimento de cada um.

Ruy Ferraz Fontes
Ruy Ferraz Fontes

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou denúncia contra oito suspeitos de participação no homicídio do ex-delegado geral Ruy Ferraz Fontes, morto em 15 de setembro, na Praia Grande. Na manifestação, os promotores afirmam que, embora outros cinco investigados tenham sido indiciados, não há elementos suficientes para vinculá-los ao crime. Diante disso, a Promotoria pediu a continuidade das investigações.

Segundo a denúncia, a execução teria sido motivada por vingança do Primeiro Comando da Capital (PCC), em razão da atuação de Ruy Ferraz na Polícia Civil de São Paulo. Porém, o documento não aponta quem seriam os mandantes do homicídio.

Os cinco investigados que não foram denunciados já haviam sido soltos na semana passada, após decisão judicial que garantiu liberdade provisória com uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares. Entre eles está Dahesly Oliveira Pires, que teria transportado um fuzil de Praia Grande até São Paulo após o crime, e José Nildo da Silva, flagrado armado em uma das casas usadas pelo grupo.

Também foram liberados Rafael Marcel Dias Simões, o Jaguar — apontado pela polícia como ligado ao PCC —, Luiz Henrique Santos Batista, o Fofão, e Danilo Pereira Pena, o Matemático, suspeitos de auxiliá-lo na fuga. O MPSP afirmou que, por ora, não há provas suficientes que os vinculem diretamente ao homicídio.

A denúncia explica que Dahesly pode integrar a organização criminosa, mas que sua participação ocorreu após o assassinato, o que impede, neste momento, que ela seja denunciada. No caso de José Nildo, apesar das imagens em que aparece armado, sua relação com os demais investigados não está comprovada.

As investigações apontam Marcos Augusto Rodrigues Cardoso, o Fiel, Pan ou Penélope Charmosa, como responsável por recrutar o grupo executor. Em um primeiro interrogatório, ele teria afirmado ser “disciplina” do PCC, mas voltou atrás dias depois e negou qualquer ligação com a facção.

Outros suspeitos foram identificados por impressões digitais e materiais genéticos encontrados nos veículos e nas casas usadas pelos criminosos. Felipe Avelino da Silva, o Masquerano, e Flávio Henrique Ferreira de Souza tiveram digitais localizadas no Jeep Renegade utilizado na ação, mas a polícia não conseguiu determinar em que momento eles estiveram no local.

Umberto Alberto Gomes, apontado como possível atirador, foi identificado por material genético, fugiu do Estado e morreu em 30 de setembro, em Curitiba, em confronto com policiais paulistas e paranaenses.

Luiz Antônio Rodrigues de Miranda, o Gão, seria o motorista do carro usado na execução e o responsável por pedir que Dahesly levasse o fuzil de volta para São Paulo. Outros denunciados são donos das casas usadas pelo grupo para se esconder e planejar a ação: Paulo Henrique Caetano de Sales, o PH — que teria características semelhantes a um dos atiradores —, William Silva Marques e Cristiano Alves da Silva.

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