O presidente Lula afirmou nesta segunda-feira (24), em Maputo, que o Brasil se afastou da África ao longo dos últimos anos e que esse distanciamento comprometeu vínculos históricos entre os dois lados do Atlântico.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (24), em Maputo, que o Brasil se afastou da África ao longo dos últimos anos e que esse distanciamento comprometeu vínculos históricos entre os dois lados do Atlântico. A declaração foi feita ao lado do presidente de Moçambique, Daniel Chapo, durante cerimônia oficial que marcou a assinatura de atos bilaterais entre os dois países.
Segundo Lula, o Brasil passou de uma relação de irmandade para um período de indiferença em relação ao continente africano, após décadas de cooperação. Ele destacou que, há cerca de 20 anos, houve um movimento de reaproximação, mas que, posteriormente, o país voltou a se afastar.
Discurso em Maputo
Durante o pronunciamento, o presidente afirmou que o Brasil se perdeu por caminhos sombrios e que, nesse processo, deixou de valorizar os laços históricos e culturais com a África. Ele ressaltou que não há tempo para lamentar o que não foi feito no passado e defendeu a retomada do diálogo e do intercâmbio entre as nações.
Lula relembrou que as relações diplomáticas entre Brasil e Moçambique completam cinco décadas e apontou que a cooperação precisa ser fortalecida em diferentes áreas. Segundo ele, temas como assistência humanitária, saúde, educação, segurança alimentar, agricultura, biocombustíveis, defesa, comércio e investimentos devem voltar ao centro das discussões bilaterais.
Cooperação econômica e infraestrutura
O presidente destacou que Moçambique ainda enfrenta lacunas significativas em infraestrutura e que seu crescimento depende da ampliação de portos, estradas, usinas e linhas de transmissão. De acordo com Lula, empresas brasileiras têm condições técnicas e financeiras de contribuir para esse processo, desde que haja mecanismos que viabilizem essa participação.
Ele afirmou que o governo trabalha para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social recupere a capacidade de financiar a internacionalização de empresas brasileiras, de forma a ampliar a presença do país em projetos no exterior. Lula avaliou que o fluxo comercial entre Brasil e Moçambique é inferior ao potencial dos dois mercados e classificou essa situação como injustificável, considerando a proximidade histórica e linguística entre as nações.
Agenda oficial
A visita a Maputo marca a primeira ida de Lula a Moçambique neste mandato. O presidente já havia estado no país em 2003, 2008 e 2010, durante gestões anteriores. Ainda nesta segunda-feira, ele deve receber o título de doutor honoris causa pela Universidade Pedagógica de Maputo, em reconhecimento à sua trajetória pública e ao fortalecimento da cooperação educacional e científica entre os dois países.
Combate ao crime organizado
No discurso, Lula também mencionou o crime organizado como uma das principais ameaças às sociedades contemporâneas. Segundo ele, o governo brasileiro tem atuado com inteligência para desarticular redes criminosas e enfraquecer suas fontes de financiamento.
O presidente destacou o papel da Polícia Federal no rastreamento de ativos ilícitos e no combate à lavagem de dinheiro, afirmando que a instituição é reconhecida internacionalmente por sua atuação e que está à disposição para ampliar a cooperação com Moçambique nessa área.
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