Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena de Jair Bolsonaro após a defesa desistir do último recurso. Com o trânsito em julgado, o ex-presidente deve ser levado à Superintendência da PF. Condenado a 27 anos e três meses em regime fechado, Bolsonaro ainda tenta obter prisão domiciliar.

Jair Bolsonaro é suspenso pelo PL (Foto: reprodução / Agência Brasil)
Jair Bolsonaro é suspenso pelo PL (Foto: reprodução / Agência Brasil)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (25) o início do cumprimento da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista. A decisão marca a transição da fase cautelar — na qual ele estava preso preventivamente desde sábado (22) — para a etapa de execução penal.

Segundo Moraes, Bolsonaro cumprirá a pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde já se encontra detido. A defesa do ex-presidente havia optado por não apresentar os segundos embargos de declaração, último tipo de recurso ainda possível no processo. O prazo se encerrava na segunda-feira (24). Sem o recurso, Moraes pediu que fosse declarado o trânsito em julgado, encerrando o caso e autorizando o início imediato da execução da pena.

A decisão de Moraes

No documento, Moraes formalizou:

“Determino o início do cumprimento da pena de Jair Messias Bolsonaro, em regime inicial fechado, da pena privativa de liberdade de 27 anos e três meses, sendo 24 anos e nove meses de reclusão (em regime fechado) e dois anos e seis meses de detenção.”

Com a determinação, Bolsonaro deixa de ser apenas um preso preventivo e passa a ser preso condenado, com regime fechado já iniciado. A execução penal agora segue para a Vara de Execuções Penais, que ficará responsável por acompanhar o cumprimento das sanções, analisar pedidos da defesa e fiscalizar eventuais benefícios.

O que a defesa de Bolsonaro ainda tenta

Assim que o trânsito em julgado foi decretado, advogados de Bolsonaro reafirmaram a estratégia de tentar convertê-lo à prisão domiciliar, alegando:

  • idade avançada (69 anos)

  • supostos problemas cardíacos e respiratórios

  • alegação de que o ambiente carcerário poderia agravar o estado de saúde

  • histórico de cirurgias e internações nos últimos anos

A avaliação sobre eventual transferência caberá ao próprio STF, já que Bolsonaro é ex-presidente e o processo tramita na Corte.

Próximos passos da execução penal

Agora que a pena começou a ser executada, a PF deve:

  • manter Bolsonaro em cela individual, como já vinha ocorrendo;

  • enviar relatórios periódicos ao STF;

  • cumprir protocolos de segurança por se tratar de uma figura pública e ex-chefe de Estado.

A defesa ainda pode apresentar pedidos acessórios, mas não existem mais recursos capazes de modificar a condenação.

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