Mansões em condomínios de alto padrão, carros importados e transações milionárias atribuídas a terceiros fazem parte do patrimônio ligado à empresária Tabyta Kamiry Tavares Machado.

Tabyta Kamiry Tavares Machado (Reprodução / Diário do Nordeste)
Tabyta Kamiry Tavares Machado (Reprodução / Diário do Nordeste)

Mansões em condomínios de alto padrão, carros importados e transações milionárias atribuídas a terceiros fazem parte do patrimônio ligado à empresária Tabyta Kamiry Tavares Machado, ex-esposa de Max Miliano Machado da Silva, conhecido como Lampião ou Alcapone, apontado como principal chefia do Comando Vermelho no Ceará. Mesmo após quase quatro anos da prisão do marido, ela mantém uma rotina marcada por bens de alto valor. As informações foram divulgadas pelo Diário do Nordeste.

O Ministério Público do Ceará denunciou Tabyta por integrar organização criminosa e por lavagem de dinheiro. Nas últimas semanas, a acusação ampliou a denúncia para incluir bens transferidos a terceiros e solicitou o confisco do patrimônio. A Justiça aceitou o pedido.

A defesa afirmou que Tabyta sempre teve vida íntegra, dedicada à família e ao trabalho, e que não possui qualquer envolvimento com práticas ilícitas. Disse ainda que ela é reconhecida por conduta responsável e respeito às leis.

Investigações apontam patrimônio incompatível com renda

Tabyta passou a ser investigada pela Polícia Civil após o marido ser citado em diversos processos como integrante da facção. Para os investigadores, a empresária apresentava padrão de vida incompatível com sua capacidade econômica à época em que era casada com o chefe do grupo criminoso.

A suspeita é de que ela teria se beneficiado financeiramente das atividades atribuídas ao companheiro, além de participar de movimentações características de lavagem de dinheiro, como ocultação de patrimônio, uso de laranjas e compra de imóveis com recursos ilícitos.

Os investigadores identificaram aquisição de bens em nome de filhos e propriedades atribuídas à pessoa jurídica vinculada a Tabyta. O MP apontou a compra de casas em Manaus, Recife e no Eusébio, além de veículos como Ford Ranger, Jeep Commander e um Toyota Hilux utilizado pela empresária.

Acúmulo milionário e imóveis de alto padrão

Tabyta e Max Miliano se conheceram em 2008, em Manaus. Entre 2008 e 2023, o casal acumulou patrimônio milionário e teve três filhos. Desde 2018, a família reside em um imóvel de luxo no Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza. Documentos mostram também que a empresa ligada à empresária comprou uma mansão de quase 700 metros quadrados no Recife.

Além disso, uma casa duplex no Eusébio foi registrada no nome de uma das filhas e um imóvel avaliado em meio milhão de reais foi identificado em Manaus.

Chefe faccionado permanece em presídio federal

No fim de novembro, a Justiça do Ceará determinou que Max Miliano continue em um presídio federal. O pedido feito pelo Ministério Público apontou a necessidade de manter o detento em unidade de segurança máxima em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Lampião tem longo histórico de crimes, incluindo homicídio, tráfico de drogas e participação em organização criminosa. Ele também foi alvo de operação da Polícia Federal no Amazonas por tráfico internacional. Antes da prisão, vivia em um apartamento de luxo em Belém do Pará e teria comprado imóveis e veículos em diferentes estados, buscando escapar da disputa territorial entre facções.

Em 2023, a Polícia Civil deflagrou a Operação Cashback, que apreendeu bens avaliados em R$ 3 milhões em endereços ligados ao casal no Eusébio e em Manaus.

Nota da defesa de Tabyta

A defesa afirmou que a nova denúncia repete pontos já analisados anteriormente pelo Ministério Público, que decidiu pelo arquivamento à época. Disse também que Tabyta sempre colaborou com as autoridades e nunca adotou conduta que indicasse ocultação de bens. Os advogados reforçaram que ela não possui antecedentes criminais, sustenta os filhos com o próprio trabalho e confiam que a Justiça reconhecerá a falta de justa causa para o processo.

A defesa informou ainda que não comentará detalhes em razão do sigilo processual.

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