Um vendaval histórico deixou quase 1,4 milhão de imóveis sem luz na Grande SP nesta quinta (11). A falta de energia afetou água, paralisou semáforos, derrubou mais de 230 árvores, causou 344 voos cancelados e fechou parques. O comércio perdeu R$ 1,54 bilhão. O prefeito Ricardo Nunes disse que acionará a Aneel e a Justiça para cobrar a Enel.
Mais de 24 horas após a passagem de um vendaval considerado sem precedentes na Grande São Paulo, quase 1,4 milhão de imóveis ainda estavam sem energia elétrica na manhã desta quinta-feira (11). Só na capital, o número se aproxima de 1 milhão de clientes afetados. No pico da crise, registrado na quarta (10), mais de 2 milhões de unidades ficaram no escuro simultaneamente.
O fenômeno, alimentado pelos efeitos de um ciclone extratropical que se formou no Sul do país, surpreendeu até meteorologistas experientes. Diferentemente dos temporais típicos da primavera, o evento ocorreu sem chuva significativa, mas com ventos persistentes que mantiveram o céu claro — uma combinação considerada rara em São Paulo. A maior rajada, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), alcançou 98,1 km/h na Lapa, na Zona Oeste.
Água também afetada
A falta de energia interrompeu o funcionamento de bombas que abastecem diversas regiões, comprometendo o fornecimento de água na capital e na Região Metropolitana.
Segundo a Sabesp, permanecem com problemas bairros como Americanópolis, Cangaíba, Parelheiros, Parque do Carmo, Savoy, Sacomã, Vila Clara, Vila Formosa e Vila Romana.
Fora da capital, cidades inteiras seguem impactadas: Itapecerica da Serra, Guarulhos, Cajamar, Mauá e Santa Isabel.
Semáforos apagados causam caos no trânsito
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que quase 300 semáforos não funcionam nesta quinta:
260 desligados por falta de energia — a maioria no Centro;
28 em amarelo piscante ou com falhas diversas.
A principal causa são árvores arrancadas que atingiram cabos e postes.
Queda de árvores e atendimentos emergenciais
Ao menos 231 ocorrências de queda de árvores foram registradas desde quarta. A Prefeitura afirma que 182 casos já foram solucionados, mas equipes aguardam apoio da Enel em 40 pontos onde os troncos continuam obstruindo vias ou redes elétricas.
Aeroportos enfrentam paralisações e filas
Entre quarta e a manhã desta quinta, os aeroportos de Guarulhos e Congonhas já acumulavam 344 voos cancelados. Só nesta quinta, foram 100 cancelamentos.
Em Guarulhos:
15 partidas canceladas;
39 chegadas suspensas.
Em Congonhas:
31 chegadas e 15 partidas canceladas.
Os saguões amanheceram cheios, com passageiros dormindo em bancos e longas filas nos balcões. Os reflexos se estenderam também aos aeroportos do Rio e de Brasília.
Parques fechados por risco
Vários parques permanecem interditados durante a manhã, entre eles:
Ibirapuera, Horto Florestal, Cantareira, Eucaliptos, Jacintho Alberto, Jardim Felicidade, Tenente Faria Lima e Lajeado.
A Urbia prevê reabertura apenas no período da tarde, caso as condições de segurança permitam.
Prejuízo bilionário ao comércio
O apagão trouxe impactos diretos ao setor produtivo. Um levantamento da FecomercioSP estima que, entre quarta (10) e quinta (11), o comércio e os serviços da cidade de São Paulo deixaram de faturar R$ 1,54 bilhão.
Serviços: perda de pouco mais de R$ 1 bilhão;
Comércio: queda de R$ 511 milhões.
Prefeitura cobra responsabilização
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que acionará a Aneel e recorrerá à Justiça para exigir providências sobre o contrato com a Enel. A postura repete o que foi adotado após os grandes apagões registrados desde novembro de 2023.
