A Dra. Giselle Mello alerta que medicamentos para emagrecer como a tirzepatida e a semaglutida podem reduzir a eficácia dos anticoncepcionais orais, pois retardam a absorção da pílula. A recomendação clínica é que as mulheres que iniciam o tratamento usem um método contraceptivo adicional (como o preservativo) por, no mínimo, quatro semanas. A médica lembra ainda que a perda de peso por si só pode restaurar a fertilidade, aumentando o risco de gestações não planejadas.

Imagem ilustrativa/Foto: Istock/Getty Images
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A Dra. Giselle Mello, esclarece que a nova geração de medicamentos injetáveis para emagrecimento, como a Semaglutida, popularmente como Ozempic (agonista de GLP-1) e a Tirzepatida, popularmente conhecida como Mounjaro (ação dual GIP/GLP-1), apresenta um mecanismo de ação que pode interferir diretamente na absorção de outros medicamentos orais, incluindo as pílulas anticoncepcionais.

Em conversa com a equipe do BacciNoticias, a médica relatou que a tirzepatida pode ser a que mais impacta a absorção do etinilestradiol (componente comum da pílula), pois seu efeito dual tende a retardar de forma mais significativa o esvaziamento gástrico em comparação com a semaglutida, que age apenas no GLP-1. Esse retardo reduz o tempo de contato e absorção do contraceptivo no organismo.

Recomendação clínica: Uso de contraceptivo adicional

Em virtude desse potencial de interferência na absorção, a orientação clínica atual é clara para as pacientes que iniciam o tratamento com esses agonistas: é fundamental a utilização de um método contraceptivo adicional, como o preservativo, por um período de, no mínimo, quatro semanas após o início do tratamento e, crucialmente, após cada aumento de dose da medicação para emagrecimento.

A Dra. ressalta ainda que, além da interação medicamentosa, eventos adversos comuns como vômito e diarreia também comprometem a eficácia da pílula. Caso a paciente vomite em até duas horas após a ingestão ou apresente diarreia persistente, deve-se adotar um método contraceptivo de barreira até o início do ciclo seguinte da pílula.

Perda de peso e o aumento da fertilidade

A especialista também aponta para um fator biológico que merece atenção: a própria perda de peso induzida por esses medicamentos pode, indiretamente, aumentar o risco de gestações não planejadas. Em mulheres com obesidade ou Síndrome dos Ovários Policísticos(SOP), a redução de peso é capaz de melhorar a saúde reprodutiva, restaurando a regularidade dos ciclos menstruais e a ovulação.

Dessa forma, mesmo com o uso de anticoncepcional oral, a melhora na ovulação potencializa a fertilidade. A médica Giselle Mello enfatiza a necessidade de orientação médica detalhada e a adoção de métodos contraceptivos complementares para garantir a eficácia e evitar surpresas.

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